Uma menina de nove anos morreu no Hospital Santa Helena, em Apucarana, no final da manhã de ontem, sob suspeita de dengue hemorrágica. A criança é do distrito de Lerroville, zona sul de Londrina, e havia sido atendida a princípio pelo Hospital de Tamarana (62 km ao sul de Londrina). A Secretaria Municipal de Saúde, entretanto, afirma que outras doenças podem ter provocado o óbito.
''Sempre trabalhamos com um elenco de patologias em casos assim'', afirmou a gerente do setor de epidemiologia da Secretaria, Sônia Fernandes. Segundo ela, existem suspeitas de que meningite, lepitospirose ou outra doença possa ter matado a menina. ''Na região de Lerroville, não há casos confirmados de dengue, apenas uma notificação. Isto nos tranquiliza um pouco a respeito desta ocorrência'', disse a gerente. O Laboratório Central do Estado (Lacen), em Curitiba, realizará análises para apontar a causa do óbito. O resultado sai em dez dias.
A dengue hemorrágica é um fantasma que assombra a Secretaria de Saúde desde que os números da dengue começaram a chamar a atenção da opinião pública, no início de fevereiro. A doença é causada por quatro sorotipos e, cada vez que uma pessoa é contaminada por um tipo, torna-se imune a ele. Entretanto, se ela é vítima de um sorotipo diferente, pode desenvolver dengue hemorrágica que, se não cuidada adequadamente, leva à morte.
''Num universo grande de pessoas contaminadas, a possibilidade (do surgimento de quadros clínicos de dengue hemorrágica) existe'', alertou Sônia. Ontem, a secretaria de Saúde divulgou um mapeamento dos 635 casos (quatro ocorrências chegaram de laboratórios particulares desde quarta-feira) confirmados no município desde o início de 2003.
A zona leste contabiliza 479 confirmações, o que representa 75% do total de casos. O dado é preocupante porque, há três semanas, a região era considerada área de surto e detinha 90% das ocorrências confirmadas. Como resultado, a dengue estaria se espalhando pela cidade. Em seguida, aparecem a região oeste com 84 casos, a norte com 34, o centro com 24, e a sul com 14.
Paralelamente, as notificações têm aumentado semana a semana. De 5 a 11 de janeiro, as unidades de saúde do município registraram 46 casos suspeitos de dengue. Na semana passada, foram 589 registros, contra 486 da semana anterior. Até a tarde de ontem, eram 2.886 notificações desde o início do ano. ''Já fomos um pouco além do surto (na zona leste) mas não creio que ainda tenhamos atingido o estágio da epidemia'', disse o chefe da 17 Regional de Saúde, Gilberto Martin.
Ele argumenta que os números devem se manter altos pelas próximas três semanas, já que apresentarão dados que entraram nos registros antes das ações das últimas semanas. ''As ações que foram realizadas ajudaram mas infelizmente ainda não estão sendo suficientes'', disse o secretário de Saúde, Sílvio Fernandes.

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