Uma criança de apenas seis anos morreu no final da manhã de ontem depois de ser atropelada por um ônibus do transporte coletivo na Rua Gregório de Souza Vacário, no Residencial Vista Bela (zona norte de Londrina). O menino foi levado para o Hospital Universitário, chegou a ser levado para o centro cirúrgico, mas não resistiu.
Segundo o motorista da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL),
o veículo estava saindo do ponto quando o garoto veio correndo e tentou se segurar na porta do meio, escorregou e caiu embaixo do ônibus. "Quando eu percebi o que tinha acontecido já parei, foi tudo muito rápido", lamentou.
Vizinhos da família do menino contaram que a mãe está grávida de nove meses e precisou sair cedo para ir a uma consulta médica, acompanhada do marido. "Ela nunca deixa as crianças sozinhas, sempre pede que eu tome conta deles, mas acho que hoje, por ter saído muito cedo, não quis incomodar", disse a dona de casa Valquíria dos Santos Vilas Boas, vizinha da família. Além do menino, o casal tem mais uma filha de nove anos, que também estaria brincando na calçada no momento do acidente.
Suzana Santos mora na casa em frente ao local do atropelamento e afirmou que também não tinha visto as crianças na rua. "Só saí de casa quando o acidente ocorreu. Foi uma fatalidade", lamentou. Segundo os vizinhos, é comum as crianças e adolescentes do bairro tentarem pegar carona nos ônibus, tanto a pé como de bicicleta.
Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo (Metrolon) e a TCGL TCGL lamentam a morte do menino, estendem suas condolências à família e reforçam a necessidade da conscientização de pedestres e ciclistas sobre os perigos da carona no ônibus.

Proteção
As fábricas de ônibus já perceberam o problema e agora os veículos já vêm equipados de maneira a tentar coibir a prática. O gerente da empresa Londrisul (que também atua em Londrina), Rodolfo Marinho, explica que os carros são feitos de maneira a não deixar vãos que possibilitem a carona.
"Eles quebram as lanternas para conseguirem se segurar. Os veículos novos já vêm de fábrica com uma proteção para evitar esse problema. Também há uma chapa de ferro no lado interno do para-choque, para que não consigam enroscar os pés ou algum gancho. Outra medida foi parafusarmos toda a placa traseira do veículo, para que não fique nenhum ponto de apoio. Mesmo assim eles não desistem e agora a tentativa é de se segurar nas portas", explicou.
Segundo Marinho, a orientação é para que o motorista pare o coletivo assim que perceber a tentativa de carona e, se necessário, chame a polícia. O problema se agrava na época das férias e parece ser generalizado, não havendo um bairro com mais ocorrências.
O diretor de Operação da TCGL, Daniel Martins, concorda. "Como não há uma prática de entretenimento para as crianças, é comum elas ficarem pelas ruas e qualquer coisa se torna uma brincadeira, mesmo que perigosa, como pegar carona nos ônibus."
A TCGL não tem uma estatística dos acidentes dessa natureza, mas segundo Martins não é frequente. "O certo é que geralmente quando isso ocorre, por ter um grau de risco muito grande, a probabilidade dessa brincadeira dar errado é altíssima, além das consequências que são graves."
O gerente da Londrisul afirmou que nenhum dos veículos da empresa se envolveu em atropelamentos por causa de caronas. "Nosso maior problema atualmente são os jovens que querem andar sem pagar a tarifa, além do vandalismo", ressalta.
Para tentar diminuir o problema, além de investirem nas adaptações dos veículos, as empresas realizam campanhas. "No passado, quando a incidência era muito grande, as empresas fizeram campanhas nas escolas orientando sobre o perigo dessa prática", explica Martins.
A solução, segundo eles, é a orientação dos pais, que muitas vezes não sabem o que os filhos estão fazendo nem com quem estão andando. "Os menores, ao verem os mais velhos se arriscarem e se divertirem com isso, se arriscam também para fazer igual. É nesta hora que o acidente acontece", lamenta o diretor da TCGL.
Ontem, no final da tarde, moradores do Vista Bela tentavam organizar um protesto para reivindicar melhorias no bairro, como áreas de lazer para as crianças.

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