O fácil acesso à informação - principalmente pela televisão e pelo computador - deixou as crianças mais exigentes na hora de aprender. Mas os professores não estão conseguindo acompanhar as mudanças. A maioria ainda acha que ensinar é ficar falando e escrevendo no quadro negro todo o tempo, segundo a professora Fátima Macedo Balthazar. Para ela, falta explorar o lúdico na sala de aula, no ensino público e no particular.
O conteúdo das matérias deve ser passado para as crianças com a ajuda de jogos, dinâmicas e músicas. ‘‘O lúdico estimula os alunos, e faz com que eles participem espontaneamente das aulas, trabalhem a timidez, sejam mais criativos e disciplinados. Os alunos querem ir à escola, mas esperam encontrar coisas novas dentro dos conteúdos.’’
A falta de inovação dentro da sala de aula tem como justificativa o tempo, o desestímulo, a acomodação e a resistência natural às mudanças. Treinamentos e cursos começam a ocorrer com maior frequência para enquadrar os profissionais dentro das necessidades atuais. Fatima dá cursos para professores regularmente. ‘‘Eles precisam se reciclar, têm de ser diferentes do que eram há dez anos.’’
O próximo curso será no dia 15 de agosto. A idéia é desenvolver a sensibilidade do profissional para que seu desempenho melhore em aula. Segundo Fátima, os professores precisam ter mais paciência, compreensão e afetividade para conseguir lidar com as situações que surgem na sala de aula - principalmente com a indisciplina. ‘‘Também falta trabalhar os valores humanos, que estão esquecidos’’, diz. ‘‘Isso teria de vir de casa, mas nem todos recebem as orientações dos pais.’’
Muitos pais passam a responsabilidade da educação para a escola. ‘‘Isso é uma ilusão, afinal a criança precisa, em primeiro lugar, do carinho e da atenção dos pais. A base da formação é a família’’, afirma.
Pais e professores devem estimular as crianças. Quando a família perceber dificuldade de aprendizagem em alguma área deve escutar o filho, em vez de brigar ou colocá-lo de castigo, orienta a psicopedagoga Isabel Parolin. Se o professor verificar o problema, deve tentar solucioná-lo e conversar com a direção e com os pais. Repreender o aluno, questionar sua capacidade ou mandá-lo para fora da sala baixa a auto-estima e só piora o problema.Marcelo AlmeidaFátima Balthazar diz que o lúdico deve ser estimuladoAnna Camanducaia

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