Uma criança de três anos teria sofrido sequelas após receber medicação em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Guarapuava (Centro), segundo denúncia de familiares. Eles afirmam ainda que o menino teve parada cardíaca, ficou na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e se recupera em casa, mas não consegue andar, falar e se alimenta por sonda. Os pais acreditam em erro médico. O Ministério Público investiga o caso.

A família conta que buscou atendimento em maio, na UPA do bairro Batel, para aliviar tosse e sintomas de resfriado. A criança, segundo os pais, foi atendida por um clínico geral, responsável pela prescrição dos medicamentos. "O médico falou que ele estava com o peito chiando, com resfriado e que podia ser bronquite asmática. Eu questionei, porque ele nunca teve bronquite, não estava com falta de ar, mas ele disse que ia receitar uns remédios para tomar na veia", afirma a mãe Noilves Oliveira, 20.

De acordo com ela, quatro medicamentos foram prescritos e um deles teria prejudicado a saúde do filho. "Ele tossiu bastante e vomitou, a enfermeira disse que era reação ao remédio, que era normal, e não parou com o medicamento. Ele já tinha finalizado os outros remédios", informa. Como o filho chorava, a mãe o pegou no colo para fazê-lo dormir. "Eu vi os olhos um pouco 'viradinhos', mas achei que ele estava cochilando. Depois de um tempo percebi que ele estava muito gelado, com a boca pálida. Coloquei a mão no pescoço dele, não senti os batimentos e vi que ele não respirava", relata, dizendo que se tratava de uma convulsão e que o filho teve uma parada cardíaca.

A criança foi encaminhada às pressas para a UTI do Hospital Santa Tereza, na mesma cidade, onde ficou por 25 dias. "Lá eles falaram que o remédio não poderia ser prescrito para uma criança e que, se ele estava com bronquite asmática, tinha que ter feito exames e passado outro medicamento, porque esse era para adultos. O médico também não perguntou se ele ele tinha alergia, reação a alguma remédio, nada disso", reclama a mãe.

A criança passou por uma cirurgia gástrica e, entre idas e vindas do hospital, se recupera em casa. "Ele não está em estado vegetativo, porque olha, ouve, entende o que a gente fala. Os médicos disseram que vai precisar de bastante fisioterapia, fonoaudiólogo e de outros especialistas para se recuperar", indica o pai Adenilson Oliveira, 24, que está voltando agora ao trabalho depois de sair do emprego para cuidar do filho. A mãe também pediu demissão para auxiliar na recuperação.

A família entrou em contato com o MP (Ministério Público). O promotor responsável pela investigação, Alfredo Dal Lago, disse que iniciou o procedimento e que encaminhou os documentos para análise de equipe médica do Caop (Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça) de Proteção à Saúde Pública, em Curitiba. "Ouvimos alguns dos médicos que atuaram nesse paciente, o presidente do Conselho Municipal de Saúde, e temos também o prontuário médico, relatos de familiares e pedimos uma perícia para saber se houve má prática médica", informa o promotor. Como o processo tramita em sigilo, o MP em Curitiba informou que o processo vai passar por análise de equipe técnica para apurar a questão da responsabilidade.

A família aguarda a resposta para o caso. "Ele não tinha nada, nunca precisou ficar internado, só consultava em caso de emergência, sempre foi uma criança muito saudável ", lamenta a mãe. "Queremos que alguém seja responsabilizado e que a prefeitura faça alguma coisa", pede o pai.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Guarapuava, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.

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