Criança exposta ao fumo tem audição reduzida
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de dezembro de 2013
Léo Arcoverde<br>Folhapress 
São Paulo - Crianças que convivem com fumantes têm a capacidade auditiva reduzida quando comparadas com aquelas que não têm contato constante com quem fuma. Essa é a conclusão de uma pesquisa feita pela Faculdade Santa Casa de São Paulo.
O estudo, inédito, mostra o que estudos anteriores já haviam apontado com relação aos fumantes ativos: o dano que a nicotina provoca nas células responsáveis pela nossa função auditiva. Os pesquisadores analisaram um grupo de 200 alunos de oito a dez anos, sem nenhuma queixa de audição, de uma escola da capital. Metade convivia com fumantes e a outra metade não.
Testes feitos em um computador apontaram a resposta das células da audição de cada aluno, medidas em decibéis, quando um som era emitido. As das crianças que conviviam com fumantes foram, em média, dois decibéis abaixo das respostas de quem não tinha contato constante com a nicotina.
Para Cristiane Lopes, professora de fonoaudiologia da Santa Casa e uma das autoras do estudo, essa capacidade auditiva reduzida, se agravada, pode causar sérios danos à criança. "Com essas alterações do processamento auditivo, a criança perde a capacidade de entender um som em detrimento de outros, o que é fundamental para ela prestar atenção em uma aula, na escola, enquanto há barulho produzido no recreio, por exemplo."
Segundo a pesquisadora, a perda da capacidade auditiva, quando não contornada, é irreversível, e pode fazer com que a pessoa tenha de usar um aparelho auditivo para ouvir melhor.
Prevenção
Já a professora de fisiologia da Santa Casa Alessandra Durante, também autora da pesquisa, diz que o estudo chama a atenção para a importância de não se fumar perto de crianças em casa.
"Com a lei antifumo, muitas pessoas deixaram de fumar em bares, mas continuam fumando em casa, o que é ruim para as nossas crianças, que ficam expostas à nicotina."
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