Quem tem filho, já pagou mico. Afinal, o amor não vive só de engolir sapos! Não tem pai ou mãe que alguma vez na vida não tenha ''morrido de vergonha'' do filho. Passado o vexame, as histórias ficam na lembrança para ser resgatadas, com saudades e muita risada. Mas na hora, a sensação do ''responsável'' é uma vontade imensa que a terra abra um buraco bem grande para ele sumir dentro.
Foi assim com Silvana, mãe de João Vitor. Quando o menino era pequeno, vomitava com frequência. Ela perdeu a conta das vezes que teve que levâ-lo correndo ao banheiro mais próximo. Certo dia, quando passeavam no shopping, João Vitor começou a passar mal. ''Peguei ele no colo e saí voando para o banheiro. Quando abri a porta e entrei, ele não aguentou mais e vomitou em cima de uma mulher que estava penteando o cabelo na frente do espelho. Na verdade, ele 'lavou' o cabelo da mulher. Foi uma cena chocante. A mulher ficou tão surpresa que não disse uma palavra. Eu também não sabia o que dizer. Só sei que saí dali com ele o mais rápido possível'', lembra.
A pequena Maria Fernanda, linda na sua festa de dois anos, arrasou. ''Cada convidado que chegava com um presente, ela abria e se fosse roupa, disparava: - Roupa não é presente, né mãe? Eu queria sumir, tentava argumentar mas não tinha jeito'', confessa Mirella. Entre risadas, a mãe se pergunta: ''Se com 2 anos ela me apronta uma dessas, como será depois?''.
Cecília, 3 anos, foi com a mãe, Carolina, ao velório de uma tia. Com jeitinho, a mãe explicou que a tia tinha morrido porque já era muito velhinha e estava doente. A pequena assimilou. Depois, comentou com a avó: ''A tia está morrida, viu?''. E quando a avó observou que a tia tinha ido para o céu, Cecília arrematou, surpresa: ''Não foi não, vovó. Ela ainda está ali, deitada''.
É bem verdade que a maioria dos ''micos'' acontece por um único motivo: criança é sincera. Regina estava passeando com os filhos Gabriel e Augusto, quando encontrou uma amiga, acompanhada da irmã. ''O Augusto conhecia minha amiga, mas não a irmã dela. Acontece que a amiga era muito bonita, e a irmã, feia. Ele olhou para as duas e perguntou: - Você é irmã dela? Eu até imaginei o que vinha mas não tive como impedir, e ele concluiu: - Mas você é tão bonita, e ela é tão feia... Olha, eu não lembro o que eu disse, nem o que eu fiz, nem como voltei prá casa naquele dia'', confessa Regina.
O que nenhum pai ou mãe esquece, entretanto, é desse tempo de inocência dos filhos. Com o passar dos anos, todos eles perdem a ingenuidade e com ela, vai-se também essa capacidade mágica de fazer os adultos prender a respiração, engolir em seco, para depois cair na risada.

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