Criança é maioria entre drogados Edson MazzettoEdson MazzettoA sede do Núcleo de Atendimento, em Cascavel (acima) e a psiquiatra Maria Aparecida Nunes Fontana (ao lado) Paulo Pegoraro De Cascavel Crianças na faixa de 12 a 16 anos são a maioria entre os atendidos pelo Núcleo de Atendimento Psico-Social (Naps) de Cascavel, mantido pelo Município e voltado a dependentes de drogas. Além da faixa etária ser bastante reduzida, muitas crianças estão há mais de 3 anos envolvidas com drogas. A revelação é da psiquiatra Maria Aparecida Nunes Fontana, coordenadora do Naps, localizado no bairro Claudete (zona norte da cidade), por onde já passaram 110 pessoas em 7 meses de funcionamento. Maria Aparecida Nunes diz ser ‘‘altamente preocupante’’ as duas constatações, porque o Núcleo atende pessoas na faixa de até 21 anos. Um dos casos é o de uma menina de 12 anos, já há 4 anos utilizando drogas como crack. Paralelamente, a psiquiatra relata que a maioria abandona o atendimento sem que ele seja completado – teoricamente, o prazo seria de 6 meses – e ‘‘é mínimo’’ o número dos que se livram das drogas. O Naps oferece atendimento ambulatorial e dá ênfase à terapia ocupacional, com equipe médica e monitores. Da terapia constam, entre outras atividades, orientações e aulas de artes plásticas e danças. Maria Aparecida sustenta que o uso de medicamentos para o tratamento de dependentes de drogas ‘‘não tem nenhuma comprovação de resultados’’. Segundo ela, os medicamentos servem basicamente como ‘‘suporte’’ em apoio ‘‘à disposição e possibilidade das próprias pessoas se livrarem do vício’’. Para isso, além da motivação pessoal, elas devem usufruir de ambiente familiar e social ‘‘que proporcione estímulo, inclusive com oportunidades de trabalho e integração’’. O Naps, no qual foram investidos R$ 156 mil do Município (e R$ 28 mil do Fundo da Infância e Adolescência), funciona em uma edificação de 421 metros quadrados e é o único estabelecimento municipal, na região, com este tipo de atendimento. A secretária de Ação Social Regina Barreiros observa que a instituição funciona como uma ‘‘clínica aberta’’, pois os atendidos permanecem no local apenas durante o dia. Regina lembra que o Ministério da Saúde não mais permite a internação de dependentes em clínicas fechadas. No entanto, Maria Aparecida Fontana explica que, ao retornar para suas casas ou convívio com amigos, muitos atendidos voltam ao consumo de drogas. A psiquiatra salienta que, nos casos muito complexos, quando a psicoterapia e outros métodos não dão resultados, os especialistas defendem a chamada ‘‘redução de dano’’, ou seja, orientar os dependentes para que se submetam ao menor risco possível.