Criança é baleada em confronto na Zona Norte
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domingo, 16 de março de 2008
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Quatro crianças e adolescentes catavam frutas num pomar, quando uma série de tiros quebrou o sossego do Sítio São Carlos, na Gleba Lindóia (Zona Norte de Londrina), por volta das 15 horas de ontem. Na correria em busca de abrigo, uma delas se atrasou: Daniela Aparecida Dias da Silva, 11 anos, foi baleada na cabeça a um passo da porta de casa. Seu estado é grave.
A menina foi vítima de uma bala perdida disparada durante confronto entre policiais militares e pelo menos dois homens que foram vistos por moradores se embrenhando num cafezal. Não se sabe de qual dos lados teria partido o tiro que atingiu Daniela.
Segundo o porta-voz do 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente Ricardo Eguedis, uma viatura com três policiais teria ido até o local para apurar a suspeita de que um veículo roubado teria sido levado para lá. ''Quando eles desceram e foram fazer as buscas, alguém começou a atirar. Houve a troca de tiros e um ou mais suspeitos fugiram'', disse o tenente, ressalvando que ainda não dispunha de informações completas até o início da noite de ontem.
A suspeita sobre o veículo, contudo, não teria se confirmado. Tratava-se de um Vectra pertencente ao tio da menina baleada, Cleberson Barbosa da Fonseca, 27 anos, que estava na casa da irmã consertando um armário. A filha dele, de cinco anos, é uma das crianças que escapou do tiroteio. ''Podia ter sido qualquer um de nós'', comentou.
''Antes tivesse sido eu'', desabafou, aos prantos, a mãe de Daniela, Maria das Graças Dias da Silva, 31 anos. Outras duas filhas dela, um bebê de um ano e uma garota de 14, estavam em meio ao fogo cruzado. A maior estava ao lado da irmã quando ela caiu. ''O primeiro tiro pegou no chão. Tentei puxá-la, mas não deu tempo. Ela ainda conversou, disse que a cabeça doía muito. Verifiquei o pulso e a respiração, como aprendi na aula de Ciências. Depois ela ficou quieta, mas ainda acordada'', narrou a adolescente.
O pai das meninas, Claudemir Aparecido da Silva, 42 anos, estava na roça quando soube da tragédia. Ao correr para ver o que acontecera, o lavrador disse que foi confundido com os bandidos e algemado pela polícia. ''Fiquei uma hora no camburão, sem saber como estava minha filha'', revoltou-se. Segundo Maria das Graças, a menina foi levada para o Hospital da Zona Norte na viatura da PM. Pouco depois, foi transferida para o Hospital Infantil.
A família afirmou que os tiros que chegaram ao sítio, localizado numa baixada, vieram ''de cima'', onde estaria a polícia. Moradores disseram ter visto dois suspeitos, desconhecidos na região. ''Um deles falou 'viram a gente' e correu pro matagal atirando. Uma vizinha contou que um bando andou tentando roubar uns porcos dela'', comentou uma testemunha.
Segundo o tenente Eguedis, a PM irá apreender as armas dos policiais envolvidos na ação e investigar o caso. Ele disse que desconhecia o fato de o pai da vítima ter sido algemado e afirmou que a situação também seria averiguada. Até o fechamento da edição, Daniela se encontrava na UTI, em estado estável, mas corria risco de morte.


