Criança é atacada no campus da UEM
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quinta-feira, 12 de março de 1998
Lucinéia Parra 
Marco NegriniSituação de riscoMato no campus da Universidade de Maringá, que tem 57 alqueires, facilita ataque dos agressoresUma criança de 11 anos sofreu atentado violento ao pudor anteontem à noite, no campus da Universidade Estadual de Maringá (UEM). L.S.C.M. foi atacada por um rapaz de estatura baixa, moreno, por volta das 20h30, quando voltava para a casa depois de ter frequentado aulas do curso de italiano no Instituto de Línguas da UEM. O rapaz praticou sexo anal com a menor. Em fevereiro, também no campus da UEM, uma estudante foi estuprada e registrou queixa na Delegacia da Mulher.
Os dois casos de estupro e atentado ao pudor dentro da UEM preocupam a comunidade, já que o policiamento armado dentro de universidades é proibido por lei federal. A UEM só conta com policiamento preventivo. De acordo com o depoimento de L.S.C.M., ela foi abordada pelo rapaz às 20h30 e só libertada à meia-noite. O rapaz chegou a ameaçá-la de morte se ela gritasse ou reagisse. A menina foi encaminhada ontem de manhã para exame de atos libidinosos (para compravar a penetração anal), exame de conjunção carnal (penetração vaginal) e de lesões corporais.
Segundo a escrivã de polícia Mariza Cácia de Almeida, a menina tem lesões no pescoço. Ela afirmou que pelas características dadas pela menina, o rapaz que a atacou é o mesmo que estuprou a estudante da UEM em fevereiro. É o mesmo vocabulário, com muitos palavrões e o mesmo tipo de abordagem, explicou Mariza. L.S.C.M. também disse que o agressor chegou a afirmar que dentro da UEM há grupos de pessoas cometendo este tipo de crime e que os territórios são delimitados. O local onde ele atacou a menor, segundo teria dito o agressor, lhe pertencia.
A vice-reitora da UEM, Neusa Altoé, disse ontem que a universidade já está tomando medidas para evitar estes crimes no campus. Ela afirmou que desde fevereiro quando houve o estupro da estudante, todos os setores, inclusive o da vigilância, foram comunicados. Pedimos aos alunos que não andassem sozinhos pelo campus, principalmente à noite, informou.
Ela assegurou que a vigilância preventiva dentro da UEM será redobrada. É o que podemos fazer, porque por lei federal o policiamento armado é proibido dentro da universidade, confirmou. A Polícia Civil, segundo a vice-reitora, já está investigando o caso, mas até agora não há pistas do agressor ou agressores.
A UEM oferece 14 cursos de pós-graduação à noite e tem cerca de 3 mil estudantes matriculados no período. No campus também funciona o Centro de Aplicação Pedagógica (CAP) que oferece aulas de 2º grau para 210 alunos no período da noite.
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) não tinha conhecimento da violência sexual de anteontem à noite. Diretores do DCE prometeram agendar algum tipo de atividade de protesto.


