Mario CesarApelo às mãesRosa com a filha Rafaela: ‘O leite coletado ajuda a minha filha e também outras crianças’Rafaela completou 53 dias ontem. Alérgica a proteínas de leite de vaca e de soja, ela só pode tomar leite humano. Mas a mãe da criança, a dona de casa Rosa Marlene de Souza, 38 anos, não tem leite suficiente para amamentar e precisa recorrer ao Banco de Leite do Hospital Universitário de Londrina. Ela também conta com a ajuda de amigos e vizinhos para conseguir doadoras. Rafaela está entre as dezenas de casos atendidos pelo Banco de Leite do HU.
A dona de casa explica que a alergia da filha foi detectada nos primeiros dias, quando ela rejeitava outro tipo de leite que não fosse o materno. ‘‘Ela vomitava tudo’’, lembra Rosa.
O problema foi confirmado no Domingo de Páscoa, no dia 12, quando Rafaela foi internada com desidratação. ‘‘Ela ficou internada durante seis dias, foram feitos vários exames. Ela tem mesmo alergia’’, observa a mãe. Segundo a coordenadora do Banco de Leite do HU, Márcia Maria Benevenuto de Oliveira, o fato de Rafaela ter alergia faz com que ela tenha diarréia e, consequentemente, desidratação, quando ingere leite não materno.
Rosa de Souza conta que tem tomado medicamentos e mudado a dieta alimentar para ver se consegue produzir mais leite. ‘‘Infelizmente, até agora está difícil’’, lamenta. Duas vezes por semana, ela vai até o Banco de Leite para pegar o produto congelado. Segundo a mãe, Rafaela necessita diariamente de seis a oito mamadeiras de leite, com 70 ml cada uma.
O problema maior, afirma a dona de casa, acontece durante os finais de semana, já que o Banco de Leite funciona de segunda a sábado. ‘‘Pego uma quantidade suficiente para durar até segunda-feira, mas dá medo de faltar.’
Por saber das dificuldades enfrentadas pelo banco, ela e o marido têm se empenhado em conseguir doadoras. ‘‘As mulheres ligam em casa, vou até a casa delas, coleto o leite em frascos esterilizados e levo para o Banco, onde o leite é processado’’, explica. ‘‘O leite coletado ajuda a minha filha e também outras crianças que necessitam.’
A dona de casa ressalta que muitas mães se dispõem a ajudar, inclusive querendo dar leite diretamente à criança. Mas ela explica que, como a filha tem alergia, é necessário que o produto passe por um processo de pasteurização. Ela acredita que falta divulgação sobre o Banco de Leite para conseguir mais doadoras. ‘‘Duas mães com que falei nem sabiam da existência dele.’
Apesar de a filha estar bem agora, Rosa de Souza observa que a preocupação é com relação ao peso. Ao nascer, Rafaela estava com 3,9 quilos. Com a desidratação que sofreu, o peso caiu para 3,7 quilos. ‘‘O normal seria ela estar com 5,8 quilos.’ Ela revela que a sua primeira filha, hoje com sete anos, também teve problema semelhante. ‘‘Mas ela se adaptou ao leite de soja. Infelizmente, a Rafaela é alérgica a tudo.’

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