A delegacia de São Miguel do Iguaçu (45 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu) abriga em uma de suas celas uma criança de um mês de idade. Vitória Gonçalves da Silva é filha da pernambucana Lucidalva Gonçalves da Silva, 30 anos, que foi condenada a 21 anos de prisão por ser cúmplice de latrocínio – assalto seguido de morte – a um taxista da cidade.
Vitória vem recebendo da delegada e da escrivã todo o tratamento que uma criança recém-nascida necessita. Lucidalva não reclama do local, uma cela individual, e ainda elogia a assistência. ‘‘Tudo que a minha filha precisa elas trazem. Aqui não sentimos falta de nada’’, garantiu.
Apesar do pequeno espaço na cela, Vitória já possui berço, banheira, alguns brinquedos e vários produtos de higiene pessoal. ‘‘Já ganhamos pacotes de fralda descartável, alguns vidros de shampoo e sabonete para bebê.’’
Vitória desfruta na delegacia de alguns privilégios: seus banhos diários são com água quente e, aos sábados, no horário de visita, mãe e filha chegam a ficar mais de três horas ao ar livre no pátio da delegacia. ‘‘Todo dia a delegada deixa a gente tomar um pouco de sol lá fora’’, disse.
A mãe, que há mais de 20 anos deixou seus familiares em Pernanbuco, revela que não quer saber do pai da criança. Ela disse que só tem uma amiga, em Foz do Iguaçu, se precisar de alguém que cuide da filha. ‘‘Não quero nem pensar nisso, não posso ficar longe da Vitória.’’
Segundo determinação do Juizado do Menor e do Adolescente, em São Miguel, a criança só poderia ficar na delegacia com a mãe por um período de 30 dias, prazo já esgotado. Entretanto, a delegada Tany do Amarante Razera acredita na prorrogação desse prazo. ‘‘A juíza deve rever essa decisão, aqui a Vitória é muito bem tratada. Não é em toda delegacia que a delegada e a escrivã são mulheres’’, justificou.
Lucidalva tem planos para seu futuro e da filha. Ela pretende ser transferida para a Penitenciária Central do Estado, em Curitiba, onde poderá viver com a criança. Segundo ela, um advogado já pediu a transferência. ‘‘Só estamos esperando a decisão do juiz. Lá tem trabalho para mim e creche para minha filha.’’
Ela está na delegacia de São Miguel há um ano e dois meses. ‘‘Depois de quatro anos, por boa conduta, espero algum dia ser transferida para um lugar com regime semi-aberto.’’

mockup