Apatia, medo de ficar perto de determinado adulto, falta de apetite, queda no rendimento escolar. Estas são alterações de comportamento que podem indicar que uma criança está sendo vítima de abuso sexual, e que, portanto, devem ser investigadas. As maiores vítimas são as meninas, na faixa etária dos 7 aos 14 anos. Nos últimos meses, porém, até bebês têm sido vítimas deste tipo de violência. Os maiores agressores são pessoas do círculo de convivência da criança e que portanto detêm a confiança da família seguidos de padrastos e pais.
Segundo Télcia Lamônica de Azevedo Oliveira, coordenadora do Programa Sentinela, desenvolvido em parceria entre Governo federal e município para atendimento da criança vítima de violência e sua família, a criança sempre dá sinais quando não está bem. ''Ela não muda de comportamento à toa, sempre tem alguma explicação. É preciso que a família esteja atenta.''
Além das mudanças comportamentais, existem sinais físicos típicos do abuso, como machucaduras ou marcas nos órgãos genitais, infecções, corrimentos (no caso das meninas) e lesões anais (no caso dos meninos). ''A mãe também deve prestar atenção em sinais de sangue nas roupas da filha ou do filho'', alerta Télcia.
A coordenadora do Sentinela recomenda que, antes de mais nada, a mãe procure conversar com calma com a criança, estimulando que ela fale espontaneamente, ''sem colocar palavras na sua boca''. Além disso, afirma, é preciso sempre dar crédito ao que a criança diz. ''Os adultos tendem a acreditar mais na fala de outro adulto, e o agressor se utiliza desta arma para ameaçar a vítima. Mas é muito difícil uma criança inventar uma história de abuso, porque trata-se de uma situação muito delicada, que geralmente envolve alguém próximo ou até da própria família.''
Muitas vezes, a agressão persiste por anos a fio, sem que ninguém perceba, e a criança não consiga verbalizar de forma clara o que está acontecendo. Por isso alguns casos exigem um longo atendimento, até que tudo se esclareça. ''Como o nosso foco é o atendimento à criança e à família vitimizadas, trabalhamos no ritmo de cada um. E quando novos casos chegam, não podemos abandonar aqueles que já estão em atendimento'', esclarece Télcia.
O Programa Sentinela foi implantado em Londrina em 2002 prevendo o acolhimento e atendimento psicossocial de 50 crianças / adolescentes por mês. Mas assim que o trabalho tornou-se conhecido, a média de atendimento saltou para 160 por mês, em média, incluindo os casos antigos que continuam em atendimento. O aumento no número de denúncias, segundo a coordenadora, não quer dizer, necessariamente, que os casos de abuso sexual também estejam aumentando. ''Antes não havia a quem denunciar'', observa.
Os pais que desconfiarem que o filho ou a filha está sofrendo este tipo de agressão deve levá-lo para atendimento em uma Unidade Básica de Saúde ou no caso de crianças até 12 anos diretamente ao Pronto Atendimento Infantil (PAI), onde há equipe preparada para atender casos de abuso. Se for necessário, a equipe faz o encaminhamento ao Conselho Tutelar, que por sua vez faz o contato com o Sentinela.
As meninas acima de 12 anos devem ser atendidas na Maternidade Municipal, onde funciona o Projeto Rosa Viva, que administra os medicamentos necessários a este tipo de situação, como a pílula do dia seguinte, que evita uma gravidez indesejada.

Serviço
Quem souber de casos de abusos a crianças e adolescentes deve denunciar ao Conselho Tutelar, que tem um número de telefone celular disponível 24 horas por dia: 9991-6752 (recebe inclusive ligações a cobrar). A pessoa que denunciar não precisa se identificar, mas deve dar o maior número possível de informações, como nome da criança, endereço, nome da mãe e, se souber, o nome do agressor.

mockup