Especial para a Folha
Algumas crianças são consideradas verdadeiros ‘‘pestinhas’’ pelos adultos. Chegam nos ambientes tirando tudo do lugar, não recebem ordens, gritam e batem nos coleguinhas. Se na maioria dos casos essa rebeldia é apenas uma fase, em outros esses comportamentos são sintomas de doenças neurológicas, que precisam ser tratadas por especialistas.
Crianças autistas, com hiperatividade aguda, esquizofrenia, psicose e outros distúrbios de conduta, fisicamente são pessoas normais e por isso seus comportamentos anormais são atribuidos, de forma simplificada à falta de educação. ‘‘Os próprios pais têm medo de admitir que a criança é doente porque sofrem com isso’’, diz a psicóloga infantil Denise de Oliveira Moraes. Ela explica que com três meses de idade uma criança autista, ou com outros problemas neurológicos, já apresenta um comportamento diferente. ‘‘São bebês que não pedem para mamar, não sorriem ou que ficam irritados a maior parte do tempo’’, diz ela. O pediatra nem sempre identifica o problema, que só vai ser confirmado na idade escolar pelo professor.
Nem todo ‘‘diabinho’’ tem doenças. Apenas quando as reações fogem do normal ou são extremas devem ser avaliadas por um profissional: ‘‘como aquelas que não respondem ordens, parecendo alheias ao mundo, não aceitam ser tocadas, derrubam objetos com violência, batem insistentemente em qualquer pessoa em sua volta, ou até praticam auto-agressão’’, exemplifica a psicóloga. Nessas situações é aconselhável que os pais procurem o neurologista que vai fazer um diagnóstico aprofundado.
Controle-Esses problemas neurológicos não têm cura. Os especialistas apenas conseguem diminuir o grau da doença, tornando a pessoa sociável e ajudando no seu desenvolviemtno mental e escolar. Nas escolas especializadas, os professores colocam limites na agressividade da criança. ‘‘É preciso falar firme sem ser agressivo e explicar para ela que um tapa ou puxão de cabelo pode ser trocado por um carinho. O grito pode levá-la a ficar descontrolada’’, alerta Marise Mendes Silvério, pedagoga da Escola de Educação Especial Alternativa, que trabalha com crianças que apresentam distúrbios de conduta.
A musicotarapia, fisioterapia, atividades físicas e o carinho auxiliam a reduzir a agressividade. Marise explica que muitas vezes a agressão é a forma que a pessoa tem de se comunicar e ter contato com o próximo. As crianças são acompanhadas por um psiquiatra, que medica o paciente com antidepressivos ou calmantes. Na escola os profissionais, treinados para agir em cada caso, ajudam o aluno a viver em sociedade. Todos os especialistas que trabalham com pessoas portadoras de distúrbios de comportamento ressaltam, contudo, o papel fundamental da família que deve estabelecer limites, mas principalmente cercar a criança de muito afeto e compreensão.

mockup