Criança adoece e família vive drama
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domingo, 02 de agosto de 1998
Lúcio Horta 
Dorico da SilvaDramaAntônia de Fátima Castilho com o filho Fabiano: ele era um garotinho saudável e agora está nesta situação e não encontro ajuda de ninguémTudo começou com um problema de saúde que não parecia grave. Mas o quadro evoluiu e as consequências transformaram a vida de uma família do Jardim Las Vegas, em Ibiporã. O caso teve início há três anos, quando o garoto Fabiano Castilho dos Santos, na época com apenas seis meses, foi encaminhado pela mãe ao Hospital Cristo Rei com febre e vômito.
A mãe do menino, Antônia de Fátima Castilho, 36 anos, conta que o médico de plantão aplicou Plasil e Novalgina no filho. Mas, segundo ela, Fabiano teria uma alergia aos componentes dos medicamentos, até então desconhecida. Antônia diz que Fabiano provavelmente sofreu intoxicação e, algum tempo depois, convulsões. Teve parte do cérebro lesionada e perdeu a visão, a audição e a coordenação motora.
Antônia Castilho - que desconfia que houve erro médico no caso - afirma que o filho chegou a ficar 14 dias na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Universitário (HU) de Londrina e praticamente foi desenganado. Acabou sobrevivendo, mas sobraram as sequelas. A mãe lembra ainda que teve que tirar licença do emprego de servente que tinha numa escola municipal - a escola Maria Inês de Melo, de Ibiporã - para poder dar atenção em tempo integral ao menino.
Além de banho, comida e medicamentos, Antônia diz que tem que estar sempre atenta para um problema que acontece com frequência: Fabiano expele uma secreção que, se não for retirada prontamente, provoca febre e até pneumonia, o que seria fatal para ele. Às vezes saio de casa, para cuidar dos problemas, e quando volto ele já está com febre. Não dá para descuidar, tenho que estar sempre ao lado dele, afirma Antônia.
A escola em que a mãe trabalhava, segundo ela diz, também não foi sensível à situação da família. Primeiro concedeu uma licença não-remunerada de dois anos. Depois exigiu que ela voltasse ao trabalho. Quando venceu esse prazo, era ou fazer acordo ou voltar a trabalhar. Mas eu não podia trabalhar e deixar o menino sozinho, salienta. Antônia acabou sendo demitida, com a justificativa de abandono de emprego. O médico até deu atestado, mas mesmo assim não teve jeito.
Ao mesmo tempo em que ficou sem emprego, Antônia passou a procurar algum advogado que lhe desse orientação sobre os próprios direitos. Pensou em duas ações: uma contra o hospital ou médico responsável pelo problema de Fabiano; e outra contra prefeitura, que a teria dispensado. Mas aí acabou encontrando outra dificuldade: ela conta que já passou por quase dez advogados, inclusive profissional indicado pelo Ministério Público, e ninguém quis assumir o caso.
Os motivos apresentados pelos advogados, segundo Antônia, são os mais distintos. Alguns dizem que o caso é possível, mas pedem dinheiro, o que ela não tem; outros desacreditaram nas possibilidades de que ela obtenha sucesso na ação; outros dizem que o caso é muito complicado e se negam a assumi-lo; outros ainda justificam a não-aceitação dizendo simplesmente que são amigos de pessoas ligadas à administração municipal e que não querem desagradar essas pessoas.
A família Castilho - o pai, a mãe e os quatro filhos - hoje vive com dificuldades. O salário do marido de Antônia, que é de pouco mais de R$ 200,00, mal dá para sustentar os quatro filhos do casal. Quanto mais pagar um atendimento especial para o garoto em uma clínica de fisioterapia. O meu filho era saudável e agora está nesta situação. E não consigo encontrar ninguém para que possa me ajudar, lamenta Antônia, que já não sabe mais a quem recorrer.


