Wanderson Gonçalves Viera, 12 anos, é um dos 600 moradores de Foz do Iguaçu a ter hamster em casa. Bob, Fofinha e Alana formam a ‘‘família’’ de animaizinhos que vive em três casinhas instaladas em um cômodo reservado no piso inferior do sobrado.
Uma quarta casinha está vazia. Em um descuido na montagem de seu play-ground, o rebelde Debby (macho adulto) deixou seus aposentos e há duas semanas desfalca o grupo. ‘‘Acho que dessa vez ele não volta mais’’, diz Wanderson, que se acostumou a procurar, com sucesso, o hamster fujão pela casa. ‘‘O pior é que fora daqui ele não vai sobreviver’’, avalia.
Há um ano o ex-habitat de Debby é o ‘‘point’’ da casa. Foi quando Wanderson comprou Bob, o mais velho e querido da coleção. ‘‘Com 10 anos, ele tentou começar a cuidar de um hamster, mas não tinha nem responsabilidade nem maturidade suficiente’’, lembra a mãe, a comerciante Neuli Gonçalves Vieira, que no segundo dia devolveu o animal na loja. ‘‘Naquela época, confesso que achava um hobby esquisito, anti-higiênico e perigoso’’, completa.
Mas, a primeira experiência frustrada e a fuga de Debby só aumentaram a dedicação do estudante ao hobby. Hoje, Wanderson, que também cuida de um cachorro e uma tartaruga, acumula conhecimento suficiente para se destacar nas reuniões do Clube do Hamster. ‘‘Na avaliação de peso e qualidade de pêlo dos animais, ele sempre recebe elogios’’, conta a mãe.
As duas fêmeas, Alana e Fofinha, já pariram 20 filhotes, vendidos por R$ 3,00 pelo adolescente. A maioria foi negociada com a própria Hamster e Cia.
Conhecido entre o círculo de amigos de Wanderson, o grupo de hamster também já foi exposto em um trabalho na Feira de Ciências do Colégio Iguaçu. ‘‘Cuidar de hamsters é um boa terapia e a observação de uma outra forma de vida é um grande aprendizado’’, indica Neuli a outras mães.
A comerciante aprendeu a gostar do hobby do filho e, mais informada, passou a entender porque as crianças se apegam tanto aos pequenos roedores. ‘‘Os hamsters são muito dóceis, limpos, não fazem barulho e quase não se gasta para criá-los’’, relaciona.
No total, para montar as casas equipadas com brinquedos e outros acessórios e alimentar o grupo, Wanderson gastou R$ 200,00 em um ano. ‘‘Tem muitos amigos que não entendem porque crio estes bichos. Eles confundem com rato. Mas no fundo, eles acham diferente e se pudessem também teriam um’’, diz. (L.F.M.)

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