O campus Londrina da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) conta agora com um Neabi (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas). A iniciativa é um passo importante para fortalecer a igualdade racial e valorizar a diversidade no campus e faz parte de um movimento amplo da instituição paranaense para promover o debate e implementar ações afirmativas nas 13 cidades onde ela está presente.

Além de fomentar discussões, o núcleo tem papel ativo no desenvolvimento de ações educativas, culturais e acadêmicas que respeitem e reconheçam a história e os saberes desses povos.

Segundo a coordenadora do Neabi do campus da UTFPR Londrina, Silvana Rodrigues Quintilhano, a criação do núcleo é uma "resposta concreta à urgência de enfrentamento ao racismo estrutural e ao epistemicídio que historicamente atravessam os espaços acadêmicos brasileiros".

Os objetivos

Com o apoio da gestão institucional da UTFPR, representada pelo diretor-geral, Alireza Mohebi Ashtiani, o Neabi se firma como um espaço de diálogo permanente entre a universidade e os movimentos sociais. Ampliar o debate sobre diversidade, fortalecer políticas de permanência, promover justiça curricular e construir um espaço efetivo de escuta, acolhimento e denúncia contra o racismo são os principais objetivos.

"Sua importância reside justamente em sua capacidade de articular saberes, práticas e políticas públicas que desafiem a lógica excludente da academia, contribuindo de forma significativa para a construção de uma universidade verdadeiramente democrática, plural e antirracista", pontua a coordenadora.

Quintilhano esclarece ainda que o movimento fortalece o compromisso da universidade com a promoção dos direitos humanos, o combate às desigualdades históricas e a valorização das epistemologias afro-brasileiras e indígenas, criando uma rede colaborativa e descentralizada que atua a partir das especificidades regionais e da diversidade sociocultural dos territórios onde está inserida.

Educação antirracista

Conselheira Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais e Conselheira Municipal de Promoção de Igualdade Racial, a coordenadora possui mestrado e doutorado em Letras, com ênfase em Literatura Africana na UEL (Universidade Estadual de Londrina) e pós-doutorado em Cultura Contemporânea, com ênfase em Literatura Africana pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

A representante destaca ainda que a iniciativa baseia-se também na constatação da ausência de políticas consistentes de valorização das culturas afro-brasileiras e indígenas nas instituições de ensino. "Assim, o Neabi se constitui como um espaço de resistência, afirmação e transformação, com a missão de promover uma educação antirracista, inclusiva e socialmente comprometida", ratifica.

Conceição Evaristo

Em reconhecimento à importância das narrativas negras na construção de relações plurais e emancipadoras, o núcleo do campus Londrina homenageia em seu nome a escritora e intelectual mineira Conceição Evaristo, cuja obra denuncia desigualdades e reafirma a potência dos saberes oriundos das vivências negras no Brasil.

A presença simbólica e política de Evaristo como referência aponta o compromisso do Neabi com uma pedagogia da presença, como propõe a própria autora, em contraposição às ausências impostas pelas estruturas coloniais de saber.

Presente e futuro

O Neabi Londrina tem uma composição diversa e reúne docentes, técnicos administrativos, discentes e representantes da sociedade civil. A participação de lideranças religiosas de matriz africana, militantes dos direitos humanos, membros de coletivos culturais e representantes de comunidades tradicionais fortalece o caráter interseccional e interdisciplinar do núcleo.

As atividades desenvolvidas abrangem os três pilares da universidade – ensino, pesquisa e extensão – e buscam criar uma agenda institucional voltada à equidade étnico-racial.

Entre as ações previstas, destacam-se a realização de seminários, oficinas temáticas, capacitações para servidores e estudantes, eventos culturais e formativos, além da estruturação de uma biblioteca especializada em culturas afro-brasileiras e indígenas.

Quando se fala em metas futuras, estão a elaboração de protocolos institucionais de enfrentamento ao racismo, bem como iniciativas de permanência estudantil, com foco na criação de bolsas destinadas a estudantes negros e indígenas.

O núcleo contará ainda com a formação de um grupo de pesquisa voltado às relações étnico-raciais, visando à produção de conhecimento crítico e engajado com as lutas sociais.

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