Vítimas de negligência em hospitais e consultórios ganharam uma entidade especializada no assunto. Fundada há um mês, a Associação Paranaense de Combate a Erros Médicos (Apacem) já reuniu cerca de 100 denúncias no Estado. Oitenta por cento dos casos se concentram na Capital, sede da Apacem. A Oorganização Não-Governamental (ONG) quer oferecer assessoria a pacientes que não sabem como agir para iniciar um processo judicial.
‘‘As pessoas conhecem seus direitos, mas muitas não têm informações de como podem alcançá-los’’, diz a dona de casa Arlete dos Santos, 35 anos, presidente da Apacem. Para ela, um dos motivos que levam à desistência de acionar o profissional de saúde na Justiça é a falta de advogados que aceitem as causas. ‘‘Eles acham que um processo assim é muito difícil de ser ganho na Justiça’’, comenta.
Outro fator que não incentivaria as vítimas é a suposta ausência de provas para materializar um erro médico, acrescenta Arlete. A ativista acredita que este obstáculo pode ser superado se o paciente receber orientação correta para reunir todos os documentos que possam reconstituir o seu caso. Pessoas que passaram por experiências traumáticas estão sendo cadastradas pela Apacem, que monitora os casos denunciados na imprensa.
Cerca de 100 supostas vítimas de erros médicos já se filiaram à entidade. Elas pagam uma taxa de manutenção de R$ 15,00 por mês. O dinheiro é usado para cobrir os custos com advogados. Arlete conta que a Apacem surgiu a partir de uma experiência pessoal. ‘‘Também fui vítima de erro médico há quatro anos aqui em Curitiba’’, diz ela, que não dá detalhes do caso, alegando que o processo está sob segredo de Justiça.
No futuro, o intuito será representar também os próprios médicos. Arlete observa que os profissionais de saúde são pressionados pelas empresas de planos de saúde a reduzir o número de consultas. ‘‘Isso pode prejudicar um diagnóstico’’, ressalta a presidente da Apacem. A Folha tentou obter dados sobre o número de processos que tramitam no Conselho Regional de Medicina (CRM), mas a informação do setor jurídico foi de que os dados só serão repassados depois que eles passarem pela análise dos diretores, que se reúnem amanhã.
Serviço - Quem estiver interessado em conhecer a Apacem pode entrar em contato pelo telefone (41) 322-3691 ou mandar um correio eletrônico para o endereço: [email protected]. A sede provisória da ONG fica na rua Conselheiro Laurindo, 825, sala 401, no centro de Curitiba.

mockup