Mário CésarForça de vontadeO fisioterapeuta José de Castro (ajoelhado), que ficou cego em 93Preparar profissional e socialmente os deficientes visuais, através de cursos teóricos e práticos, para que eles possam enfrentar a difícil concorrência do mercado de trabalho em melhores condições. Esse é o principal objetivo da recém-criada Associação dos Deficientes Visuais de Londrina, Rolândia e Cambé (Adevilorc), presidida pelo ex-bancário José Katsuki Umebara.
Instalada provisoriamente em uma sala na sede da Caapsml, na avenida Duque de Caxias, 333 (fone 330-2987), a Adevilorc pretende unir os cerca de 300 deficientes visuais residentes nas três cidades e organizar cursos e treinamentos específicos para eles, nos próximos meses. ‘‘Nossa entidade, que é filantrópica e não visa lucro, está solicitando a ajuda financeira pública e do setor empresarial. Necessitamos de um espaço mais amplo, onde poderemos realizar o treinamento da mão-de-obra em conjunto com técnicos do Senac, Senai e Sesc’’, explica José Umebara.
Segundo ele, os deficientes visuais londrinenses não estão bem preparados para o mercado de trabalho por falta de capacitação específica e diferenciada. ‘‘Com um pouco mais de preparo e treinamento, a mão-de-obra dos deficientes estará em condições de ocupar com competência muitas vagas no mercado de trabalho no comércio, na indústria e no setor de serviços de nossa Cidade’’, comenta o presidente da Adevilorc.
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Mas na opinião dele, também os empresários necessitam ser mais compreensivos com os deficientes. ‘‘Às vezes, após alguma relutância, os empresários até dão uma oportunidade aos deficientes. Só que as empresas não estão preparadas para receber este empregado especial. Elas exigem dos portadores de visão subnormal o mesmo desempenho das pessoas com visão normal. Isso, em alguns setores, em alguns detalhes do trabalho, é impossível para os deficientes’’, diz José Umebara. ‘‘Quando os deficientes têm dificuldades para se adaptar em todas as funções, eles são discriminados e logo demitidos.’’
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José Umebara é economista e foi funcionário do antigo Banco Sul Brasileiro - hoje Meridional - por 12 anos. Ele sofre de retinose pigmentar, uma doença congênita sem cura que atacou o nervo ótico e a retina de seus dois olhos. Aposentado por invalidez pela Previdência Social, desde fevereiro último ele trabalha diariamente na organização da Adevilorc. ‘‘Os deficientes visuais não necessitam de caridade, mas também não aceitam a discriminação. Sabemos de nossas limitações. Por isso reivindicamos mais compreensão da sociedade e espaços em que possamos desempenhar funções produtivas. Somos capazes de fazer muitos serviços, mas não todos, obviamente. O que pedimos aos patrões é que não exijam de nós mais do que podemos realizar.’’

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