Marta Medeiros
Enviada a Ângulo
Especial para a Folha
Usuários do sistema de água e esgoto em Ângulo (32 km ao norte de Maringá) não aceitam a autarquia criada pela prefeitura para administrar o serviço de água e esgoto. Projeto de lei foi aprovado na sessão de anteontem e causou polêmica entre vereadores. Mais de 100 pessoas acompanharam a sessão e a Polícia Militar precisou intervir para evitar confusão. A distribuição e cobrança da água em Ângulo é municipal. A população acredita que o preço da tarifa pode aumentar com o Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae).
A prefeitura acredita que o Departamento Municipal de Água não tem condições de investir na melhoria do abastecimento. A autarquia teria ainda condições para conquistar financiamentos a fundo perdido. A tarifa mínima da água é de R$ 5,00 e a arrecadação mensal do departamento gira em torno de R$ 4 mil, mesma média que a prefeitura gasta para administar o sistema. Como o serviço é municipal, a prefeitura alega que é difícil arrecadar porque a maioria dos usuários pede desconto ou anistia para o pagamento em atraso.
O artesão José Gomes da Mata ressalta que a população do município é carente e não sabe o que pode acontecer quando a autarquia começar a administrar o serviço de água. Mata mora em Ângulo há 43 anos e disse que conhece bem as dificuldades que a população enfrenta para conseguir trabalho e pagar as contas em dia. ‘‘Além de aumentar o valor da tarifa, a autarquia não vai ter piedade quando resolver cortar o fornecimento aos inadimplentes’’, prevê. ‘‘O serviço de água aqui é muito bom, quase nunca falta e serve bem a todos nós’’, afirma.
O município tem 3 mil habitantes. A Folha esteve ontem em Ângulo, mas não localizou os vereadores de oposição e o prefeito Jefferson Xavier dos Santos (PFL). Segundo funcionários da Câmara e da prefeitura, eles passaram o dia em eventos fora da cidade.

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