CRF-PR e Vigilância Sanitária vão fiscalizar a venda de psicotrópicos
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de fevereiro de 1997
Simone Mattos 
Da Sucursal
O Conselho Regional de Farmácia do Paraná (CRF-PR) vai fazer em fevereiro, o levantamento da quantidade de psicotrópicos comercializados irregularmente pelas farmácias no Estado. Acordo firmado ontem entre a Vigilância Sanitária Estadual e o CRF prevê também, um plano de combate e fiscalização da venda indiscriminada destes medicamentos, dentro de 30 dias.
Segundo o vice-presidente da CRF, Dennis Armando Bertolini, nunca foi feito um levantamento de dados ou a análise das documentações internas das farmácias. A vigilância recebe os relatórios de compra e venda destes remédios, mas não os analisa, disse Bertolini.
Segundo dados divulgados pela ONU, o Brasil é o País que mais consome anfetaminas (drogas utilizadas para emagrecimento e disfunções do sono, que levam à dependência física e química). No ano passado, foram vendidas 47 toneladas dessas drogas, o que corresponde a um terço de toda a quantidade comercializada no mundo, no mesmo período.
A fiscalização é feita exclusivamente pela Vigilância Sanitária, que conta com mil fiscais no Paraná. No final de cada trimestre, as farmácias precisam nos apresentar o balanço dos medicamentos psicotrópicos que entraram e saíram. Eventualmente, os fiscais visitam os estabelecimentos para averiguar armários e conferir livros de registro, explicou a representante da Vigilância Sanitária Estadual, Márcia dos Santos.
O vice-presidente da CRF-PR afirmou que muitas vezes estes medicamentos são comercializados sem a emissão de notas fiscais. Abortivos e anorexígenos entram pelo Paraguai, por exemplo, ou são vendidos para as farmácias sem que os laboratórios entreguem nota fiscal, denunciou. Estas situações fogem ao controle da vigilância, diz.
Ele disse que ainda é sigilosa a estratégia de combate ao comércio destas drogas, que será adotada pelo CRF, em parceria com a vigilância.
Segundo Bertolini, as três anfetaminas mais comercializadas no Estado são os emagrecedores Inibex, Moderex e Duabid. Existem no Brasil quase 50 remédios psicotrópicos e todos só podem ser vendidos mediante receita médica. Segundo a técnica da Vigilância Sanitária, o comércio irregular dos psicotrópicos pode resultar na cobrança de multas ou na interdição do estabelecimento responsável.


