O alarme está disparado. Londrina sofreu uma explosão no número de assaltos a residências, o que transparece nas estatísticas da Polícia Militar: foram 408 crimes do gênero desde o início deste ano até o último dia 18, contra 266 em igual período de 2004 - um aumento de 35%. A ocorrência de três ou mais roubos de casas numa mesma noite é constante.
O espanto com essa realidade corre de boca em boca nas ruas, nas conversas de ônibus, todos com algum caso recente para contar. Também entre as autoridades é nítido que a preocupação aumentou, a ponto de o delegado-chefe da 10Subdvisão Policial, Jurandir Gonçalves André, ter ido pessoalmente a uma residência na Zona Norte para executar um flagrante de roubo. Na ocasião, três assaltantes foram presos - todos de 17 anos.
''Aumentou o número de roubos e também a crueldade dos assaltantes'', admite o delegado-chefe. Crueldade que se traduz em ameaças e agressões físicas gratuitas. ''Dia desses, um casal de idosos foi obrigado a permanecer na cama, cobertos até a cabeça, enquanto o assaltante ficava cutucando-os com a arma e ameaçando matá-los'', conta um escrivão de polícia. Um idoso também foi agredido durante assalto a uma chácara na Zona Sul, em pleno meio-dia.
André acredita que três quadrilhas principais, formadas por adolescentes, estariam ''aterrorizando'' moradores, não só de famílias ricas como também de classe média. Os jovens assaltantes teriam um mesmo ''modus operandi'': eles rendem moradores quando estão entrando em casa; vasculham o imóvel à procura de dinheiro, jóias, componentes eletrônicos e eletrodomésticos, além de artigos fúteis; e levam tudo no veículo da família, geralmente abandonado horas depois. Muitas vezes, as vítimas são amarradas e presas em algum cômodo.
O delegado-adjunto da 10SDP, Márcio Amaro, que responde também pela Delegacia de Furtos e Roubos, estima que 90% dos assaltos a residências sejam cometidos por adolescentes. Ele explica que cada roubo costuma ser cometido por grupos de 4 a 5 jovens, mas que as quadrilhas são bem maiores. ''São grupos de 10, 15 adolescentes que se conhecem, começam a furtar, depois adquirem armas e partem para o roubo, se 'revezando' em grupos menores'', diz.
A polícia afirma que está na cola dos receptadores de produtos roubados, mas não dá detalhes ''para não atrapalhar as investigações''. André diz que a eficácia das ações esbarra no âmbito judicial. ''Esses adolescentes estão sendo apreendidos, mas saindo do internamento em um curto espaço de tempo e aterrorizando novamente''.
De acordo com registros da Delegacia do Adolescente, só no mês passado 37 menores de 18 anos detidos pela polícia tiveram envolvimento em 20 roubos. Há casos emblemáticos de reincidência: três jovens de 17 anos foram detidos dentro de uma casa no Jardim Petrópolis (Zona Sul). Todos tinham passagens recentes pela polícia por roubo e pelo menos um confessou ter assaltado três casas no mesmo bairro.
Dados do Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi) também confirmam a curta permanência dos jovens assaltantes na internação. O diretor do órgão, Jorge Higarashi, levantou que 14 adolescentes detidos por roubo no mês passado foram liberados cerca de 45 dias depois, prazo legal para a audiência com um juiz.

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