Marcos NegriniSegundo prefeitura, doações atraíram moradores à favela do Hélio: 8 barracos novos em 4 mesesA Favela do Hélio, em Sarandi (7 km de Maringá), recebeu mais oito famílias depois que a prefeitura e entidades sociais passaram a distribuir donativos aos moradores. No começo do ano, quando a prefeitura fez um levantamento no local, existiam 20 famílias na favela. De abril até agora, quando começaram as campanhas de ajuda aos moradores, mais oito barracos foram construídos. Segundo dados do Departamento de Assistência Social da prefeitura, cerca de 100 pessoas moram no local, a maior parte crianças.
O crescimento da favela tem preocupado a administração do município. A diretora do departamento social, Aparecida Rodrigues Schwarz, nega que a intenção seja suspender a ajuda às famílias da favela do Hélio.
‘‘Não podemos impedir a ajuda externa para os moradores da favela, que hoje garante o alimentos da maior parte das famílias.’’ Aparecida diz que os próprios moradores confirmam que se mudaram para a favela para garantir pelo menos o alimento.
O departamento planeja adotar programas para profissionalizar os favelados. ‘‘O problema é o mesmo de sempre, a falta de recursos’’. Segundo ela, a prefeitura entrega cestas básicas, pão e leite aos moradores da favela do Hélio.
Porém, moradores reclamam que, embora estejam cadastrados na prefeitura, não estão recebendo nada da prefeitura. ‘‘Fiz meu cadastro na prefeitura mas nunca vieram ver como eu estou ou trazer alguma coisa pra mim’’, reclama a copeira desempregada Maria Aparecida Medeiros, 48 anos, que mora desde abril na favela.
Ela conta que já tinha morado no local há mais de dois anos, antes de ir para São Paulo trabalhar. Ela voltou porque um filho dela foi esfaqueado. ‘‘Muita gente traz donativos aqui, mas nunca ganhei nada da prefeitura.’’
A dona-de-casa Maria Aparecida Silva, 36 anos, seis filhos, se mudou para a favela há dois anos. Ela morava em Ibiporã, e quando chegou em Sarandi foi morar na favela. O marido, Dorival, servente de pedreiro, está desempregado. ‘‘Aqui pelo menos a gente ganha comida e roupa, mas não sei se é a prefeitura que traz’’, afirma ela.
Apesar dos donativos, Maria Aparecida afirma que falta comida para a maior parte das crianças da favela. ‘‘É triste demais um filho da gente pedir comida e a gente não ter o que dar’’, lamenta. O servente de pedreiro Sérgio Aparecido Eduardo Prestes, 32 anos, diz que mora na favela do Hélio desde que o local era um acampamento de lona.
Há cerca de seis anos, a prefeitura permitiu a construção dos barracos. ‘‘No começo, tinha só seis ou sete barracos, e agora a favela está crescendo de novo por causa dos alimentos e roupas que o pessoal traz pra gente toda semana’’, diz ele.
Prestes reclama que a comida distribuída não dá para todo mundo, e que não consegue trabalho regular há pelo menos dois anos. ‘‘Sou obrigado a viver de bicos para sustentar a família.’’
Aparecida Schwarz diz que a prefeitura pretende erradicar a favela depois de formar conjuntos habitacionais e dar cursos profissionalizantes aos favelados. A prefeitura já pediu ao Estado a construção de 200 casas populares, que eliminaria as favelas.

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