Curitiba - Este ano o número de casos de dengue aumentou quatro vezes no Paraná em relação a 2001, chegando a 4.926. Para reduzir esse número e conter o risco de dengue hemorrágica, representantes dos 68 municípios do Estado que tiveram casos autóctones, ou seja, contraídos no próprio município, foram chamados pela Secretaria Estadual da Saúde para discutir estratégias de combate à doença durante o inverno. É que os ovos do Aedes aegypti, transmissor da dengue, podem resistir até 400 dias sem água. Do total de casos registrados no Estado, 4.543 foram autóctones. E destes, 80% estiveram concentrados nas regiões de Foz do Iguaçu, Maringá e Londrina.
No município de Foz do Iguaçu, o número de casos pulou de 61 no ano passado para 1.415 até 17 de julho deste ano. O secretário municipal de Saúde de Foz, Mauro Fujiwara, atribui a explosão da dengue em sua região ao calor atípico, que se estendeu até o mês de junho, e a alta rotatividade dos agentes de combate à dengue. ''Acabamos perdendo em capacitação da equipe'', explica. Isso sem contar que Foz tem uma população flutuante muito grande e está na região de fronteira.
Fujiwara diz que Foz está investindo R$ 59 mil por mês no combate à dengue e recebe apenas R$ 35 mil para as ações contra a doença, a raiva canina e a malária. O município investiu pesado na aquisição de equipamentos pulverizadores de veneno, aumentou o número de agentes de 70 para 190 e também a frequência de visitas deles em pontos estratégicos.
Em Maringá o número de casos saltou de 157 para 450 do ano passado para este ano. A diretora de Promoção e Assitência à Saúde da Secretaria Municipal da Saúde, Regina Lúcia Dalla Torre Silva, diz que o trabalho de combate aos focos da dengue não parou em Maringá, mas o clima interferiu muito no crescimento da doença.
Em Londrina, o número de casos passou de 114, em 2001, para 355 este ano. A gerente do Serviço de Epidemiologia de Londrina, Josemari de Arruda Campos, atribui o crescimento da doença ao escape de notificação, ou seja, pessoas de fora que ficaram doentes durante sua passagem por Londrina, mas cujos casos não foram notificados na cidade. ''Para cada caso notificado, fizemos um bloqueio. Por isso, acreditamos que houve uma circulação viral extra'', explica.
Segundo Josemari, o trabalho de combate à doença esbarra na falta de recursos e na Lei de Responsabilidade Fiscal, já que os agentes entram na folha de pagamento do município que tem limitação de gastos com pessoal. Londrina tem 90 agentes de combate à dengue, sendo que o mínimo recomendável seria 160, segundo ela. ''O que mais me preocupa é o risco da dengue hemorrágica, que é mais grave e pode matar'', diz.
Na região de Maringá já houve circulação viral de três sorotipos diferentes. Quando uma pessoa tem uma infecção por um sorotipo, o risco de contrair dengue hemorrágica é muito grande, caso seja infectada por um segundo sorotipo no prazo de cinco anos.

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