A violência e falta de segurança preocupam frequentadores do Zerão, uma das principais áreas de lazer no centro de Londrina. Com os incidentes do último domingo, quando um rapaz de 17 anos foi baleado e duas pessoas detidas numa ação polêmica do grupo Rone da Polícia Militar, as críticas se tornaram mais intensas. ''As pessoas estão com medo de vir aqui. No último domingo, todo mundo se assustou com os tiros. Droga, aqui, rola direto. Nos finais de semana e no começo da noite, os moleques se juntam para fumar maconha e cheirar cola, na cara dura. Falta policiamento'', diz Agostinho Pedro da Silva, que vende côco no complexo poliesportivo há sete anos.
O funcionário público Alexandre Isidoro Jerônimo, que testemunhou o incidente no bar no último domigo, aponta outros problemas decorrentes da falta de fiscalização. ''Cachorros são trazidos para passear sem coleira e focinheira, as alamedas ficam perigosas para os pedestres porque ali circulam motos e bicicletas em alta velocidade. E na hora em que você precisa, não encontra um policial'', critica.
Apesar do grande número de adolescentes que vai ao Zerão para consumir drogas e do mocó atrás do anfiteatro, antigos problemas da área de lazer, a Secretaria de Ação Social garante estar acompanhando a situação. ''Visitamos com frequência o local, que tem uma população flutuante. Temos programas de abordagem para moradores de rua, quando procuramos encaminhá-los para suas famílias, para abrigos ou para tratamento, no caso dos dependentes de droga. São questões muito complexas - no caso do tráfico, vão além da ação social e passam a ser de responsabilidade da polícia'', diz a secretária Maria Luiza Rizotti. ''Muitos dos atendidos voltam para as ruas ou tem resistência a aceitar ajuda. Isso faz com que o número de frequentadores do mocó se torne constante'', afirma.
No caso das drogas, a Força Tarefa trata o Zerão como um ponto de tráfico. ''Recebemos muitas denúncias, mas é difícil realizar flagrantes, trata-se de um espaço público e muito aberto, facilita fugas. Em três meses de Força Tarefa, não fizemos apreensão naquele local'', diz o delegado João Aquino.
A violência também estaria sendo estimulada, segundo a população, pela venda de bebida alcoólica a menores no local. ''Nos finais de semana, os bares ficam com as calçadas cheias. E muitos aparentam ser menores'', afirma o aposentado Manoel Ramos. A ex-coordenadora dos comissários de menores da Vara de Infância e Juventude, Adriana Camargo, afirma que os bares da região já foram autuados por este motivo nos últimos anos. ''Mas em 2002 não foi feita nenhum autuação. Estes estabelecimentos são complicados, pois existe uma resistência dos frequentadores, e são muito abertos. É difícil provar que um menor comprou a bebida no local'', explica.

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