Emerson Cervi
De Curitiba
A indústria da fraude contra seguradoras está crescendo. Estimativas nacionais mostram que 20% dos seguros pagos são para simulações de roubo de veículos, incêndios, acidentes pessoais e até morte. No Paraná isso representa R$ 200 milhões por ano. O faturamento das 70 empresas de seguros de bens e pessoais que atuam no Estado em 1998 foi de R$ 1,033 bilhão. Isso equivale a 5,33% do mercado de seguros nacional. Cerca de 35% desse total foi na carteira de veículos, que é a maior no ramo das seguradoras.
Não existem estatísticas regionais, mas em todo o Brasil no ano passado as seguradoras pagaram R$ 5,78 bilhões em prêmios para proprietários de veículos sinistrados. Mais de 85% do faturamento com seguros de veículos foram destinadas ao pagamento de prêmios. ‘‘Existem muitas empresas falindo porque elas não conseguem equilibrar as contas pelo grande número de prêmios pagos’’, afirma o presidente do Sindicato das Empresas de Seguros do Paraná, João Gilberto Possiede.
‘‘A maioria das fraudes no Estado são constatadas pelas seguradoras de veículos’’, conta. ‘‘O problema é crescente e preocupa as empresas porque cabe ao segurador provar que se trata de uma fraude, caso contrário temos que pagar o valor da apólice’’. Também existem casos de auto mutilações, quando a pessoa tem um seguro de acidentes pessoais. E notícias falsas de morte, para que os beneficiários recebam o seguro, não são muito raras.
O índice de golpes contra seguro de veículos aumentou depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que em casos de roubos ou acidentes com perdas totais, o valor pago pela seguradora tem que ser o da apólice e não o preço de mercado. ‘‘Um carro novo perde 10% do preço quando sai da concessionária, doze meses depois a desvalorização é ainda maior, por isso muitos proprietários correm riscos para fraudar o seguro e receber o prêmio no valor total da apólice’’, conta Possiede.
Nestes casos, o mais comum é o proprietário entregar o veículo a um desmanche ou levá-lo até o Paraguai. Depois, faz a o boletim de ocorrência e dá entrada no pedido de pagamento de seguro. Quando o carro ‘roubado’ é financiado ou o proprietário está pagando o consórcio e as prestações estão atrasadas, as notícias falsas de crimes são mais comuns. É que nesse caso o seguro termina de pagar o financiamento. ‘‘A função do seguro é ressarcir danos e não gerar lucro para o segurado, por isso discordamos da decisão do STF’’.
Possiede já falou com o Secretário de Segurança e com o prefeito de Curitba sobre o crescimento do golpe do seguro de veículos. ‘‘A polícia precisa combater os desmanches de carros na periferia porque se existem pessoas pessoas são capazes de se mutilar para receber seguro, imagine o que elas fazem com seus carros’’. Curitiba é a quarta cidade do Brasil em furtos e roubos de carros, perdendo apenas para Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas, respectivamente.Só no Paraná, seguros pagos a simulações de roubo ou acidentes chegaria a R$ 200 milhões por ano
Arquivo FolhaDE OLHOAs seguradoras estão investigando melhor as queixas de carros roubados para desmanche. Curitiba é a quarta cidade do país em furtos de veículos

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