Luciana Pombo
De Curitiba
Durante o final do ano, as lojas especializadas na venda de fogos de artifício aumentam em dez vezes o faturamento em relação aos dias normais. Segundo Marcos Aurélio Lucca, proprietário da Casa Buscapé, de Curitiba, as pessoas procuram com regularidade e o movimento, até o dia 31, é crescente. ‘‘Estamos achando que irão faltar fogos durante este ano. Muita gente acaba vinculando este fim de ano com a virada do milênio e aproveita para fazer ainda mais barulho’’, comenta Lucca.
Além de vender os artefatos, as lojas são responsáveis pela orientação ao consumidor que – muitas vezes – acaba enfrentando sérios acidentes e queimaduras por causa da manipulação incorreta dos fogos de artifício. ‘‘Sempre orientamos para que o consumidor leia com atenção as instruções e não manipule o artefato embriagado’’, afirma Marilza Pinheiro Zanoncini, sócia da casa Artigos Choktel Fogos e Show Pirotécnico. Ela orienta para que os fogos não sejam comprados em botequins e bares. ‘‘É fundamental que o artefato esteja sendo manipulado da forma correta e que seja acondicionado em local adequado para evitar danos’’, alerta.
Segundo a Delegacia de Explosivos, Armas e Munições (Deam), existem apenas 40 lojas credenciadas para a venda de fogos de artifício em todo o Paraná. Todas estão sendo vistoriadas. ‘‘Estamos fiscalizando com maior rigor. Não só as lojas especializadas mas, principalmente, as lojas clandestinas’’, diz Volga Mirian dos Santos, superintendente da Deam. Durante este mês, de acordo com os dados da delegacia, já foram realizadas cerca de 30 apreensões. O material apreendido está sendo acondicionado em locais adequados e deverá ser destruído no mês que vem.
Os constantes acidentes com fogos de artifício também preocupam os médicos do Hospital Evangélico de Curitiba, que atende dezenas de casos na passagem do ano. Segundo o cirurgião-plástico Alberto Prestes, chefe do setor de queimados, os acidentes vão desde a queimadura simples de primeiro grau até a perda dos dedos ou da mão. ‘‘O que gostaríamos de pedir é que não comprem os fogos de artifício para evitar sequelas graves, que poderão seguir para o resto da vida. Se usarem, que tomem todas as precauções possíveis, sem jamais segurar na mão o explosivo’’, orienta o médico.

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