Crescem casos de furtos de cabos telefônicos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de março de 2001
Carmem MuraraDe Curitiba 
A Telepar Brasil Telecom e as demais operadoras de telefonia do Estado estão sendo vítimas de um tipo de crime até então desconhecido por grande parte da população: o roubo de cabos telefônicos. O problema tem se agravado mês a mês na Região Metropolitana de Curitiba. Há casos diários de furtos. O último ocorreu ontem à tarde, em Fazenda Rio Grande. Dois rapazes de 17 anos foram pegos em flagrante com 80 metros de cabos.
A fiação havia sido retirada de postes, por onde também passa a rede elétrica, das ruas Tangará e Maia, no bairro Gralha Azul. Policiais militares perceberam a ação dos menores e deram voz de prisão. Os rapazes S.A. e L.C.R. foram encaminhados para a delegacia do município e depois seriam conduzidos para a Delegacia do Adolescente. Eles negaram participação no crime.
Este tipo de roubo tem chamado atenção de quadrilhas em todo o País. Eles retiram dos cabos o cobre, mercadoria que tem alto valor no mercado. O produto é derretido por atravessadores e vendido no mercado clandestino para empresas. O esquema é complexo e muito arriscado para quem se submete a subir em postes de luz para retirar os cabos telefônicos. Houve casos em que ladrões morreram eletrocutados, afirmou, ontem, o gerente de Segurança da Telepar Brasil Telecom, Edgar Fontoura.
Desde o início do ano, a Telepar registrou 136 roubos de cabos telefônicos. Isso dá mais de uma ocorrência e meia por dia. Aqui em Fazenda Rio Grande temos um roubo desses a cada 48 horas, revelou um policial civil que não quis divulgar o nome.
A Telepar perdeu a conta do prejuízo que teve, mas somente no ano passado gastou R$ 500 mil com a reposição de nova fiação. Ela teve gastos ainda com o deslocamento de técnicos e com o atendimento aos clientes insatisfeitos.
Os usuários são também vítimas dos ladrões. Um único cabo retirado pode deixar em média 200 ou até 1.200 pessoas com os telefones mudos. A Telepar pode demorar até 24 horas para consertar o dano. No ano passado, em uma única ação, uma quadrilha conseguiu levar 9 quilômetros de cabos.
A Telepar pede que a população fique atenta a ação dos ladrões. Nossos voluntários vão aos bairros problemáticos para mostrar os riscos de se roubar os cabos. Telefone é um bem social. Não dá para ficar sem ele, afirmou o consultor de Recursos Humanos da empresa, Alexandre Tacchielle.


