Cresce uso de cercas elétricas
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de janeiro de 2002
Célia Guerra 
Moradores de casas e condomínios em Londrina estão instalando cercas elétricas para dificultar a ação dos marginais. Por ser uma prática recente, a instalação não está prevista no código de posturas do município, segundo a gerência de fiscalização da prefeitura. Por isso, não há uma norma técnica de fiscalização ou de regulamentação.
A medida não está prevista nem mesmo na legislação brasileira, segundo o tesoureiro da Ordem dos Advogados do Brasil, Paulo Rogério Maeda. O serviço, afirma, pode ser tratado como sistema de segurança e ele revela que já o instalou em sua casa. Na legislação tudo o que não é proibido é permitido e assim, é legal, concluiu. Ele alerta para o número de empresas que realizam a instalação e orienta aos interessados a procurarem estabelecimentos que possuam engenheiros para a realização de projetos. É preciso ter cuidado com a picaretagem, advertiu. O delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial, João Eduardo Carulla, também admite desconhecer legislação sobre o assunto. Mas alerta que caso ocorra algum incidente o proprietário da casa responderá a uma ação criminal.
A bordadeira Maria de Lourdes Feronha instalou cerca elétrica na sua casa, no Jardim Presidente (zona oeste), há um mês. Ela conta que tomou a decisão depois de ter sua residência arrombada por quatro vezes nos dois últimos anos. Como a instalação é recente ela ainda não pôde avaliar os benefícios. Mas mesmo se considerando mais segura ela reclama dizendo que sua casa parece um campo de concentração.
André Luiz Tomé dos Santos que é gerente de empresa que instala cercas, informou que o serviço segue normas técnicas de segurança fornecidas pelo fabricante seguindo orientações do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). O sistema utilizado, explica Santos, é pulsante, ou seja, a descarga é emitida a cada 40 segundos e por isso não há o risco da pessoa ficar grudada na fiação.
A voltagem dessas cercas, segundo Cassia Regina Santos de Mello, proprietária de outro estabelecimento que instala cercas, fica entre 8 mil e 10 mil volts. Ao mesmo tempo em que há o choque, um sistema de sirene é disparado espantando o marginal e acionando pessoas que estejam próximas ou a empresa de vigilância. O custo de uma cerca eletrificada depende de sua extensão, mas os preços variam entre R$ 480,00 e R$ 800,00.


