Luciana Pombo
Os registros de furtos e roubos de carros em Curitiba aumentaram 42,16% no mês de maio em relação ao mês anterior. Segundo os dados da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, em maio foram 671 ocorrências na cidade, uma média de 22 carros roubados por dia. Se o índice de furtos tem aumentado, o mesmo não tem ocorrido com o número de carros recuperados. Em abril, foram localizados e devolvidos aos donos, 253 carros, o equivalente a 53,6% dos veículos roubados. Já em maio, 326 carros foram recuperados, 48,6% do total.
A média estadual de recuperação é ainda menor. Dos 1.114 carros roubados no mês de maio no Paraná, apenas 490 foram recuperados, 44% do total. Por dia, são roubados no Estado 37 veículos e 16 são encontrados. Segundo o delegado titular da Furtos e Roubos de Veículos, Luiz Gilmar da Silva, a meta é superar um índice de recuperação de 50%. ‘‘Grande parte dos estados brasileiros já conseguiu atingir esta meta, estamos tentando nos adequar, nas investigações rotineiras e na descoberta das quadrilhas especializadas em desmanches’’, diz o delegado.
Mais da metade dos carros roubados e recuperados em Curitiba são encontrados desmanchados ou com os principais acessórios retirados. ‘‘Existem dois tipos de depenação, a de acessórios e a do mercado negro’’, explica ele. O furto de acessórios ocorre com bastante frequência. O ladrão leva o carro e retira do veículo, os pneus, as rodas e os bancos. ‘‘Nestes casos, a pessoa ainda consegue reequipar seu veículo e tem prejuízos menores’’, afirmou ele. No entanto, existe o roubo de carro para a comercialização das peças no chamado ‘‘mercado negro’’. Os ladrões levam o carro da vítima e acabam deixando apenas a carcaça, muitas vezes queimada ou jogada em cavas. Para roubar o carro, o ladrão utiliza várias artimanhas. Uma das mais recentes é retirar a borracha que segura o pára-brisa para entrar no veículo.
Mais uma operação - A polícia começou ontem um arrastão nas principais mecânicas e auto-peças de Curitiba e Região Metropolitana na tentativa de localizar os receptadores. O trabalho terá continuidade até o final da semana que vem. ‘‘Queremos identificar os desmanches ilegais e punir os receptadores’’, afirma o delegado. Para o arrastão, foram escalados 12 investigadores de vistoria e 36 policiais de diligências especiais. Todos eles, da Furtos e Veículos e do Cope.
As auto-peças com problemas de identificação da origem do material à venda serão fechadas e terão um prazo para se defenderem. De acordo com as normas do Conselho Nacional de Trânsito, todas as peças comercializadas precisam ter a procedência e as auto-peças são obrigadas a fazer um registro de entrada e saída de tudo o que for comercializado. ‘‘As normas são claras e precisam ser seguidas’’, diz o delegado.
Há quase dois meses, a polícia civil realizou uma blitz em diversas auto-peças da Rua Salgado Filho, no bairro Uberaba, em Curitiba. Mais de 19 empresas foram fechadas. Atualmente, a maior parte delas está funcionando normalmente. ‘‘Elas comprovaram a origem e a baixa das peças que foram apreendidas pela polícia’’, justifica o delegado.Enquanto o número de furtos foi maior, caiu o índice de recuperação de carros roubados. A polícia está vistoriando desmanches e auto-peças
Mauro FrassonPrejuízoRosely Nunes olha seu carro roubado. O veículo, que não tinha seguro, foi encontrado, mas sem motor e todos os acessórios

mockup