Cresce risco de incêndios no Estado
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quarta-feira, 26 de julho de 2000
Paulo Pegoraro De Cascavel 
Apesar de ainda haver previsão de geadas em algumas regiões do Estado, o alerta agora é para o risco de incêndio na vegetação afetada pelas baixas temperaturas. Corpo de Bombeiros, órgãos ambientais e entidades não-governamentais alertam a população com campanhas de conscientização sobre o perigo das queimadas. O mês de agosto é caracterizado por ventos fortes e estiagem, condições propícias para a propagação dos incêndios em matas.
No Oeste paranaense, uma das regiões mais afetadas pelas geadas, o comando do Corpo de Bombeiros diz que a maior parte dos incêndios é provocada por piromaníacos. O sargento Juscelino Gonçalves Costa, do 4º Grupamento de Bombeiros de Cascavel, não tem dúvida. Mais de 90% dos incêndios neste período são provocados por piromaníacos. Estas pessoas ateiam fogo na vegetação ressecada pelo absurdo prazer de vê-la queimar, diz. Na região do 4º GB (Oeste/Sudoeste), foram registradas mais de 80 queimadas nos últimos dias, 30 apenas em Cascavel, em matas, reflorestamento, áreas urbanas e rurais. No ano passado, na microrregião de Cascavel, ocorreram 330 incêndios no período de inverno. Em Toledo, apenas na área rural foram queimados mais de mil hectares.
A vegetação ressecada pode ser mantida no solo servindo como forração/adubação. No caso de haver necessidade de queimada controlada, deve ser solicitada autorização ao Instituto Ambiental do Paraná e ao Ibama. Os órgãos ambientais fazem o acompanhamento das queimadas, que devem ser feitas com a abertura de aceiros, valas que circundam determinados espaços da vegetação, impedindo que o fogo se alastre.
O Corpo de Bombeiros de Umuarama também está se mobilizando para prevenir as queimadas que podem atingir grandes proporções este ano por causa das geadas que secaram a vegetação em toda a região Noroeste. Após a geada negra de 1975, a região sofreu grandes incêndios.
A maior preocupação é com o Parque Nacional de Ilha Grande, a maior reserva ecológica da região que abrange cerca de 300 ilhas do Rio Paraná, na divisa com Mato Grosso do Sul. É difícil combater incêndios nas ilhas porque o fogo se alastra rapidamente na vegetação rasteira dos banhados. Em muitos trechos, o solo é alagadiço e não permite o acesso de pessoas e veículos. Em alguns pontos, só é possível combater o fogo jogando água de helicóptero.
Ontem, o comandante do Corpo de Bombeiros, Geraldo Domaneschi, percorreu as ilhas para avaliar a situação do capim nativo que predomina nos banhados e as áreas de florestas. Nos próximos dias, ele deve se reunir com diretores do parque para definir uma campanha de orientação aos ilhéus e turistas para prevenir queimadas. Ano passado, dois grandes incêndios destruíram mais de 70% dos 80 mil hectares do parque. Em maio deste ano, o fogo queimou mais 2 mil hectares no município de Guaíra (115 quilômetros a sudoeste de Umuarama).
Em Foz do Iguaçu, o Batalhão da Polícia Militar Florestal está atento aos possíveis locais onde podem ocorrer incêndios no Parque Nacional do Iguaçu (área de 185 mil hectares que abrange 10 municípios das regiões oeste e sudoeste). A divisa com as áreas agricultáveis é a maior preocupação. Nestes pontos, a incidência de queimadas e incêndios acidentais aumenta.
(Colaboraram Vânia Moreira, de Umuarama, e Emerson Dias, de Foz do Iguaçu)


