Cresce risco de acidentes com taturana
Lino Ramos
De Londrina
Especial para a Folha
A coordenadora do Centro de Controle de Intoxicações (CCI) do Hospital Universitário (HU) de Londrina, Conceição Turini, está alertando a comunidade para que fique atenta para o risco de acidentes com a taturana Lonomia Oblíqua. Com o calor dos últimos dias e a proximidade do verão, aumenta o risco de acidentes com a taturana que, ao ser tocada, libera uma toxina e provoca sérias queimaduras na pele, podendo até matar. Em julho de 97, o estudante Rogério Martins Monteiro, de 15 anos, morreu ao ser atingido por várias taturanas (ver texto ao lado).
Os acidentes com taturanas são quase a metade dos casos registrados pelo CCI e, segundo Conceição, somente neste ano dois moradores da região Norte tiveram queimaduras provocadas pela Lonomia Oblíqua, contra uma ocorrência em 98. A gente tem visto relatos de que os acidentes estão aumentando de uma forma preocupante. Nesses meses de verão provavelmente teremos novos casos, diz Conceição.
A Lonomia mede de 6 a 7 centímetros, habita o tronco de árvores e costuma ficar agrupada em centenas de exemplares. O animal não pula ou faz qualquer movimento brusco e só libera o veneno ao ser tocada. Conceição Turini lembra que a vítima deve procurar imediatamente socorro médico, de preferência um Centro de Intoxicações. Em casos de acidente, a pessoa deve colher um exemplar vivo e procurar um médico.
Geralmente, a pessoa atingida sente muita dor acompanhada da sensação de que a pele está queimando e no local afetado pode surgir um inchaço. Quando o veneno é absorvido pelo organismo ocorrem alterações no sangue da vítima. No período de oito horas podem surgir manchas pelo corpo, sangramento no nariz e gengivas, além de hemorragias nos rins, pulmões, intestino e até no cérebro. Os óbitos costumam ocorrer em razão da hemorragia intracraniana e insuficiência renal, explica Conceição.
A Lonomia Oblíqua é encontrada no Brasil e outros países da América do Sul, como a Bolívia e Venezuela. O primeiro relato de acidente ocorrido no país foi em 1912 na cidade de Belo Horizonte. O animal é encontrado do Rio Grande do Sul ao norte do Brasil. O Jardim Zoológico de Curitiba chegou a ser interditado em razão da grande população de taturanas. Ela é originária da mata nativa. Com o desmatamento e a eletrificação rural, nós invadimos seu habitat, afirma a coordenadora do CCI.
Em 98, o CCI registrou 606 casos de intoxicações, sendo que 45% foram provocados por animais peçonhentos e o restante por inseticidas e medicamentos. Foram 60 picadas de cobra, 155 de aranhas, 24 de escorpião, 71 de insetos alados (abelha, marimbondos e outros), 21 não identificados e de 97 por hemorragia cerebral, provocada pelo veneno da Lonomia Oblíqua.
Serviço: Em Londrina, o Centro de Controle de Intoxicações funciona 24 horas e atende pelo telefone 43-371-2244.
SINTOMAS
-Dor forte acompanhada pela sensação de queimação e inchaço no local atingido. Em 8 horas surgem manchas pelo corpo e sangramento pelo nariz e rins, além de hemorragias internas.
NÚMEROS
Janeiro a dezembro de 1998 -275 acidentes com taturana (1 com a Lonomia).
Janeiro a julho de 1999 - 175 acidentes com taturanas (2 com Lonomia).Especialista da UEL alerta para os acidentes com a espécie Lonomia Oblíqua, que pode causar até a morte
Arquivo FolhaPERIGOA coordenadora do Centro de Controle de Intoxicações, Conceição Turini: Os acidentes estão aumentando de forma preocupante





