Cresce reciclagem de pneus
Curitiba - Desde o ano passado, a Usina de Xisto de São Mateus do Sul (a 150 km de Curitiba) da Petrobras está apta a realizar a reciclagem de pneus inservíveis. Mas foi só este ano, a partir de uma exigência do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), que a procura pelo serviço aumentou. Tanto, que a Petrobras estuda a ampliação da capacidade de reciclagem de cinco milhões de unidades por ano, para 27 milhões. Para isso, precisa investir US$ 1 milhão no processo.
Segundo o gerente de Planejamento da usina, Elio de Jesus Paes, já foram pirolisados 2 milhões de pneus. Só em maio deste ano foram 250 mil unidades recicladas. O processo da pirólise consiste em aquecer os pneus a uma temperatura de 480ºC liberando óleo, gás e enxofre.
Estima-se que haja no Brasil cerca de 45 milhões de pneus inservíveis com disposição inadequada. Somam-se a esse volume outros 20 milhões que são descartados anualmente. A Usina de São Mateus do Sul tem 18 contratos com fabricantes e importadoras de vários estados, sendo metade delas do Paraná. E a tendência é de que o número cresça ainda mais. A Resolução Conama 258 aprovada em 1999, exige dos fabricantes e importadores de pneus a coleta e destinação adequada de 25% do total comercializado em 2002.
No ano que vem, produtores e importadores serão obrigados a dar destinação adequada à metade do volume de pneus que entrar no mercado. Em 2004, será o equivalente ao total produzido no país e para os importadores 125%. Nos anos subsequentes, esses volumes vão aumentando ainda mais.
Paes acredita que com a demanda crescente a tendência é que a Petrobras invista na ampliação do processo de reciclagem. O maior ganho para a empresa não é financeiro, mas para sua boa imagem diante da sociedade, principalmente depois de ter causado tantos acidentes ambientais.
O enxofre obtido na reciclagem é utilizado na agricultura, indústria farmacêutica e na indústria de vulcanização. Os resíduos - xisto e pneu retortado - podem ser aproveitados como combustíveis para termelétrica ou insumo para indústrias cerâmicas e o arame pode ser reciclado em indústrias siderúrgicas. O material inerte gerado pelo co-processamento de pneus é depositado nas cavas da mina, juntamente com o xisto retortado. Este procedimento faz parte do processo de reabilitação de áreas mineradas pela Petrobras.
Além de economizar natureza, a reciclagem impede que os pneus velhos favoreçam a proliferação de insetos transmissores de dengue, febre amarela e malária; e de ratos, que podem causar leptospirose e outras doenças.





