Enquanto para alguns o frio é um incômodo constante para outros é uma ‘‘bênção’’. Os camelôs de Londrina comemoram a venda de gorros e luvas de lã que na última semana cresceu ‘‘assustadoramente’’.
O ambulante Nilson Gonçales, que durante o ano trabalha com bijuterias, a partir de ontem aderiu a pressão do clima. O otimismo dele era tanto que sua expectativa era vender aproximadamente 500 pares de luva e 200 gorros num só dia. Alzina Maria Ramos disse que, em oito anos, ‘‘esse é o melhor inverno’’. Com estes produtos ela fatura, em média, R$ 200 reais por dia, renovando o estoque diariamente.
A dona de casa Terezinha Albieiro era uma das dezenas de consumidores que ultimamente cercam as bancas dos ambulantes à procura dos artigos de lã. ‘‘Nunca comprei um gorro, mas este ano não tem como evitar. Meu marido sai de casa às 5 horas e tem reclamado muito do frio. Espero que isso resolva o problema.’’ Entre os camelôs do centro da cidade há um consenso, todos vendem o par de luvas a R$ 5, no máximo, mesmo valor dos gorros que podem ser encontrados em diversas cores.
Outro grupo de comerciantes que está feliz com a temperatura é o de lojas de assistência técnica a aquecedores solares. Uma delas bateu o recorde de atendimento na segunda-feira. Foram 15 somente pela manhã, quando o comum é zero. De acordo com a chefe do departamento de compras da loja, Rosecler de Oliveira, o problema está nos condutores do coletor solar (placa de vidro). Com a geada, a água congelou dentro deles o que provocou rachaduras e consequentes vazamentos. Para consertar o estrago os proprietários precisam desembolsar entre R$ 50 e R$ 80.
‘‘Nada disso aconteceria se eles tivessem a válvula anticongelante que impede a petrificação da água através da interrupção do fornecimento quando a temperatura chega a seis graus’’, disse Rosecler. Segundo ela, a maioria dos proprietários de aquecedor solar em Londrina não compra a peça que custa mais de R$ 200 e parece desnecessária para uma região quente. ‘‘A última vez que ocorreu um problema como este na cidade foi há cinco anos.’’
Alessandra Lancaites, vendedora de outra loja, também registrou um aumento no número de pedidos para conserto de aquecedores. São oito a dez por dia. Em contrapartida, a crescente procura pelo reparo não tem sido acompanhada pela venda, situação incomum no inverno, segundo a vendedora. O equipamento, que só pode ser instalado em casas, varia de preço e tamanho. Em Londrina, custa entre R$ 1.420 e R$ 3.032, conforme o objetivo e consumo da família.

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