Cresce procura por curso de português
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quarta-feira, 22 de julho de 1998
Israel Reinstein 
O engenheiro químico David Mitchell abandonou as férias de julho para fazer um curso intensivo de idiomas. O fato poderia ser corriqueiro, se não fosse um detalhe: as aulas eram de português. Australiano, David veio há quatro meses a Curitiba para trabalhar num convênio na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e agora corre contra o tempo para aprender a língua brasileira. O caso de David não é isolado. Nos dois últimos anos vem crescendo a procura por cursos de português. Hoje, segundo a associação do setor, para cada dez aulas de língua estrangeira, duas são de português.
Esse crescimento se torna evidente pelo número de anúncios nos jornais e nas páginas amarelas da lista telefônicas. A coordenadora do Centro de Línguas da Universidade Federal do Paraná, Maria Ascensión Jimenez Martin, diz que a maior procura é de estudantes de intercâmbio ou profissionais que vêm trabalhar em Curitiba, trazendo toda a família. A grande maioria dos alunos é de funcionários ou executivos de empresas multinacionais, como Renault e Audi, atendidos por escolas como a Aliança Francesa. Há inclusive cursos regulares de ensino para os filhos desses novos imigrantes, oferecidos por colégios, como o Expoente.
Albari RosaO tanzaniano Mbarat Aziz escreve em suaíle, sua língua nativa, e traduz para o português: começando a saber mais sobre o Brasil do que apenas futebol e sambaEntre as causas dessa procura, avalia Clarice Madureira, do Centro da UFPR, estão a industrialização do Estado e também o Mercosul. O que torna o público bem diversificado, diz. Segundo Clarice, há inclusive professores de português na Argentina, que estão vindo para cá, aprender o português para ministrar aulas em seu país.
Mas tem gente que vem de países distantes desses eixos. O tanzaniano Mbarat Aziz, 34 anos, veio a Curitiba por causa de sua mulher, que é brasileira. Conhecendo do Brasil apenas futebol, samba e Pelé, ele agora pretende ficar no Brasil. Para isso preciso aprender o português, até para trabalhar aqui, diz, enrolando a língua.
O Centro de Línguas da UFPR ainda oferece aulas de outros nove idiomas - entre russo, ucraniano, hebraico e árabe. É uma forma de manter vivos o idioma e a tradição dos que estão vindo para cá.


