Cresce opção por verduras embaladas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de outubro de 1997
Vânia Casado 
Curitiba
Legumes e verduras pouco comuns como alface romana, mini-couve chinesa, cenoura-baby, couve-de-bruxelas, tomate-cereja e pimentões coloridos (amarelo, roxo e creme) estão ganhando a preferência do consumidor que procura novidades para o cardápio diário. A entrada de novos produtos é uma sinalização de mudança no perfil do consumidor - as famílias estão menores, muita gente mora sozinha e busca praticidade e quantidades menores de alimentos. Mesmo as tradicionais donas-de-casa agora encaram as tarefas culinárias com outros olhos.
Alimentos semi-elaborados, como o aipim descascado e cortado, as verduras lavadas e cortadas e os tomates prontos para o consumo estão tendo cada vez mais espaço nas prateleiras de supermercados. Percebendo que essa tendência veio para ficar, as redes de supermercados dos grandes centros se antecipam aos atacadistas e estão fechando contratos diretamente com o produtor. Por trás dessa onda, as empresas multinacionais de sementes de hortaliças estão ampliando os investimentos no Brasil.
Outras mudanças mais discretas estão ocorrendo por trás da alteração dos hábitos do consumidor, como é o caso das embalagens. Para a comercialização desses produtos diferenciados, estão sendo utilizadas pequenas bandejas de isopor cobertas com plástico transparente, o que permite observar e escolher os produtos. Ou seja, o consumidor sabe exatamente o que está comprando e a quantidade é suficiente para evitar desperdícios. Está acabando a era das grandes caixas em que por cima iam os produtos de melhor aparência e, por baixo, os produtos de categoria inferior.
Outra preferência do mercado que exige a adaptação do produtor rural é a redução de produtos agrotóxicos no sistema de cultivo. Está aumentando a procura por produtos orgânicos ou que tenham aplicação controlada de agrotóxicos. Essas mudanças favorecem o aumento da rentabilidade. Para se ter uma idéia, enquanto uma caixa de aipim de 22 a 25 quilos é comercializada entre R$ 2,00 e R$ 3,00, um pacote com 500 gramas do produto descascado e picado sai por R$ 1,50.
A Associação Paranaense de Supermercados confirma essa tendência e acrescenta que o setor está de olho no crescimento do consumo de verduras e hortaliças nos supermercados, da ordem de 10% a 12%. Segundo o secretário executivo da entidade, Moacir Moura, antes do Plano Real o consumo desses produtos era da ordem de 7% sobre as vendas das lojas. Moura afirma que os supermercados perceberam a tendência do consumo de produtos diferenciados e estão investindo nesse setor para alavancar as vendas dos demais produtos das lojas. Essas mudanças vão se proliferar para todo o País, acredita ele.


