Cresce o perigo da dengue: são 186 casos
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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2003
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Londrina já computa 186 casos de dengue este ano. O número foi confirmado oficialmente pela 17 Regional de Sa© úde, que contabilizou as 32 ocorrências informadas extra-oficialmente à Folha pelo Laboratório Central do Estado (Lacen) na sexta-feira e mais 32 casos de ontem. ''Trata-se de uma média alta de casos confirmados por dia, algo que não dá para admitir. As ações na zona leste, que concentra a maioria dos casos, devem surtir efeito. Pior seria se os casos estivessem espalhados'', ressaltou Gilberto Martin, chefe da 17Regional.
Ontem, caminhões da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) iniciaramo mutirão de limpeza no jardim Santa Fé, na zona leste. O trabalho começou às 7 horas e os veículos foram embora cerca de três horas depois, o que causou surpresa entre os moradores. ''Soube do mutirão, coloquei o lixo todo na calçada e esperava que levassem. Acabei nem vendo os caminhões'', contou a dona de casa Marli de Paula.
A assessoria de imprensa da CMTU informou que, dos três veículos cedidos pela companhia à Secretaria Municipal de Saúde, dois deles estavam realizando uma limpeza nos fundos de uma churrascaria na Vila Sian (também na zona leste) na tarde de ontem e o outro estava completando o recolhimento de lixo do mutirão realizado no final da semana passada no jardim Monte Cristo, vizinho do Santa Fé.
''Sobrou muita coisa lá (no Monte Cristo). Os caminhões devem voltar ao Santa Fé amanhã (hoje) e acredito que isso deve atrasar um pouco o mutirão que seria realizado no jardim Marabá (marcado para quarta e quinta-feira)'', afirmou Luiz Alfredo Gonçalves, coordenador do setor de endemias da Secretaria de Saúde.
No Santa Fé, moram 356 famílias. Outras 88 vivem numa invasão às margens do córrego Cristal, e muitos moradores acreditam que a poluição do curso d'água é a responsável pela proliferação do mosquito da dengue na região. ''Se vier mutirão, tem que limpar na beira do rio. É sujeira demais, pneu, lata, tem de tudo'', relatou Cristina Calixto Leite, moradora do Santa Fé, cujo marido está acamado por causa da dengue.
O secretário de Saúde, Silvio Fernandes, garantiu que hoje devem ser entregues as lonas para que os moradores do Monte Cristo que trabalham catando plástico possam tapar as garrafas, que, preenchidas pela chuva, podem se tornar focos de dengue. Ontem à tarde, Valdemir Soares de Farias, que ganha R$ 150,00 por mês revendendo garrafas plásticas para sustentar mulher e cinco filhos, estava ensacando por conta própria sua ''mercadoria''.
''O mutirão foi bom, mas ninguém fazia coisa igual por aqui há um ano. Eu ensaco as garrafas de dez em dez dias, e todo mundo no bairro que trabalha com plástico tenta cobrir tudo, pra não atrair o mosquito. Mas temos poucos sacos e muita coisa acaba espalhada pelo quintal'', admitiu Valdemir.


