O número de menores entre 12 e 17 anos de idade que cheiram cola em Maringá aumentou 20% no primeiro trimestre deste ano em relação ao último trimestre do ano passado. O levantamento foi feito pela Delegacia do Adolescente. ‘‘Temos o registro de 50 menores flagrados nos três últimos meses de 98 e de 60 flagrantes no mesmo período deste ano. Em relação aos quatro primeiros meses do ano passado, o aumento em 99 já é de 50%’’, informou o delegado Pedro Brambilla.
Para o delegado, os menores, em sua maioria desempregados e fora da escola, estão encontrando cada vez mais facilidades para adquirir o produto. ‘‘Temos casos de donos de loja de tintas que vendem cola para menores. Os meninos pegam ainda sobras de latas de cola nos lixões, roubam dinheiro e pedem para os maiores comprarem a cola nas lojas’’, afirmou Brambilla.
Segundo ele, toda vez que um menor é flagrado cheirando cola, a família recebe orientações e o adolescente é atendido por assistente social e psicólogo, que tentam reencaminhá-lo à escola e ao trabalho. Após o atendimento, o menor teria que retornar várias vezes à delegacia. ‘‘Mas isso é raro acontecer, a maioria reincide. A cada nova pesquisa acrescentamos 10% de novos dependentes’’.
Delegado Pedro Brambilla reclama da facilidade para obter drogasNa opinião do delegado, todo menor dependente de cola deveria ser enviado para a Escola de Reintegração do Adolescente (ERA), no distrito de Iguatemi (15 km de Maringá). O problema é que o ERA não tem estrutura capaz de suportar a sua lotação, que é de 35 menores. Ontem, por exemplo, apenas quatro deles estavam hospedados na escola. ‘‘Temos lá apenas uma assistente social e uma psicóloga. E fugir de lá é muito fácil. Por isso os juízes nos negam os pedidos para manter os meninos por mais tempo conosco’’, informou o próprio delegado.
A maioria dos meninos mora nos bairros Jardim Alvorada, Vila Morangueira e Conjunto Requião. Existem pontos de cola espalhados pelo centro da cidade e bairros, principalmente no Parque do Ingá, Praça Raposo Tavares e galpões abandonados da Avenida Colombo.
‘‘Bodinho’’ O apelido de J.C.S., 16 anos, já diz tudo. ‘‘Ele vive de ‘bode’ (aparente ressaca dos dependentes de droga)’’, afirmou Brambilla. A mãe do rapaz, a zeladora Lair da Silva, estava ontem pela oitava vez nos últimos dois anos aguardando a liberação do filho.
Bodinho é dependente de cola desde os 10 anos de idade. Mora no Conjunto Requião, onde foi preso ontem acusado de furtar uma bicicleta de um funcionário de uma empresa de lanches em Maringá. Nas sete apreensões anteriores o adolescente foi liberado e reincidiu em todas elas.

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