Cresce o número de casos de leishmaniose
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sexta-feira, 11 de outubro de 2002
Janaina Hoffmann<br> Reportagem Local 
De janeiro até agora, a Secretaria Municipal de Saúde de Londrina contabilizou 69 casos de leishmaniose na cidade. Em todo ano passado foram 57 casos, 12 a menos que o número já registrado em 2002.
De acordo com os dados do boletim de epidemiologia da secretaria, a zona rural ainda é a área de maior incidência da doença. Mais da metade dos casos (36) registrados este ano ocorreu na área rural. A zona sul, que em anos anteriores foi o local de maior foco do mosquito transmissor, o flebótomo, principalmente pela proximidade do Parque Arthur Thomas, hoje, é a segunda área com o maior número de casos (14). O parque é um dos principais focos do flebótomo em Londrina.
A leishmaniose cutânia tipo encontrado em Londrina é caracterizada por lesão na pele dos infectados. O inseto é contaminado ao picar animais silvestres como roedores e outros bichos da mata que tenham o leishmania (protozoário).
Segundo o educador em saúde, Luiz Alfredo Gonçalves, do Setor de Endemias da Secretaria de Saúde, o surgimento de novos reservatórios (animais que são picados pelo inseto) deve ser o principal motivo do aumento no número da doença.
Há um mês, a dona de casa Rosa Aparecida de Paula, que mora no Jardim Porto Seguro II (zona norte) e que tem três filhos: Jonatas, Mateus e Gabriele, de oito, quatro e dois anos, respectivamente, descobriu que os dois meninos estavam com leishmaniose.
Mateus, picado no rosto e no braço, foi o primeiro a apresentar o sintoma. As feridas logo apareceram. Ele chegou a ficar três dias internado no hospital até o exame diagnosticar a doença. Dias depois o filho mais velho também foi picado no rosto. ''Mal conhecia a doença. Imediatamente procurei um médico'', disse Rosa.
Assim que o exame deu positivo, os dois começaram o tratamento. Durante 20 dias eles terão que tomar injeção com antimoniato de N-metilglucamina, medicamento gratuito fornecido pelo órgão municipal.
Segundo Gonçalves, a secretaria municipal desenvolve um trabalho de orientação sobre a doença junto à comunidade. O trabalho é intensificado na área rural, onde os agentes de saúde também recebem treinamento e informações sobre os sintomas da leishmaniose. Além disso, a população também é orientada para colocar proteção (telas) nas janelas para impedir a entrada do mosquito, se possível, usar inseticida e evitar ter animais próximos da residência.
Conscientizar as pessoas sobre como prevenir a doença é a intenção do trabalho. ''É importante deixar claro que não existe o perigo de uma pessoa infectar outra porque só o mosquito contaminado pode transmitir a doença'', ressaltou.


