Cresce número de vigias irregulares
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quinta-feira, 28 de setembro de 2006
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Nos últimos três anos, aumentou significativamente tanto o número de vigilantes devidamente registrados quanto os irregulares em Londrina. A informação é do secretário-geral do Sindicato dos Vigilantes, Sérgio Guedes. Ele calcula que só na cidade deve haver cerca de 400 profissionais sindicalizados, e pelo menos outros 400 clandestinos. Ele acredita que o aumento na procura por parte de moradores e comerciantes seja um dos maiores responsáveis pelo crescimento do setor, principalmente informalmente.
Guedes denuncia que a grande maioria dos vigilantes que fazem ronda nos bairros durante a noite é clandestina. ''Nós precisamos provar que temos a ficha limpa com um monte de atestados. Além disso, fazemos cursos reconhecidos pela Polícia Federal e temos que fazer constantes reciclagens. Já eles não têm nada disso'', compara.
O tenente Ricardo Eguedis, relações-públicas do 5º Batalhão da Polícia Militar, vai além. ''Essas pessoas geralmente vão às casas oferecer o serviço. Você não sabe se esse suposto vigilante tem vida pregressa, nem se ele está preparado'', ressalta. Eguedis lembra que o vigilante acaba tomando conhecimento sobre a rotina e os horários de entrada e saída da casa - informações que podem facilitar uma ação criminosa caso o vigia seja mal-intencionado. ''Muitas vezes a viatura policial acaba abordando esses motociclistas para averiguar se realmente eles estão apenas fazendo a ronda'', conta.
O secretário-geral do sindicato alerta ainda para a possibilidade de o tomador (pessoa que contrata esses serviços) ser responsabilizado por algum eventual problema que o vigia venha a ter durante o trabalho. ''Caso um vigia desses morra, a família dele pode conseguir na justiça uma indenização por parte dos moradores'', alerta, acrescentando que em caso semelhante as empresas de vigilâncias é que indenizam a família por meio de um seguro.
De acordo com o sindicalista, está tramitando no Congresso Nacional uma lei que proíbe a contratação de profissionais irregulares como os motoqueiros que fazem rondas nas ruas. ''Com essa nova lei, o morador que contratar um vigia clandestino vai ficar sujeito a penas de 2 a 4 anos e multa. O comércio vai poder perder seu alvará de licença'', declara.
Uma alternativa apontada por Guedes para os moradores que não dispõem de muitos recursos para investir em segurança é reunir moradores de uma rua ou bairro em assembléia, votando pela contratação de uma empresa de vigilância especializada. Segundo ele, por enquanto apenas alguns condomínios residenciais de alto padrão contratam empresas regularizadas. ''A maioria dos moradores e pequenos comerciantes ainda apela para a clandestinidade'', afirma.
Os maiores clientes das empresas de vigilância ainda são os bancos e os estabelecimentos de grande porte. ''O fato de ser tudo regularizado torna esse serviço bastante oneroso'', explica Paulo Moraes, funcionário do sindicato. Ele lembra que apenas os seguranças dessas empresas é que podem usar armas em seu trabalho, e de forma controlada. ''A sensação de segurança de quem contrata um vigia irregular não é real'', avalia.


