Curitiba – O 9º Distrito Policial (DP) – único só para mulheres na Capital – abriga, atualmente, 65 presas, o dobro da lotação média da unidade há dois anos, quando cerca de 30 mulheres costumavam dividir o local. O aumento no número de detenções entre o sexo feminino também é significativo em relação há cinco anos. ‘‘Em 97 eu era delegado-adjunto e, mesmo com todos os problemas criminais e sociais do Brasil, o distrito não chegava a ter 20 presas’’, conta o delegado Roberto H. de Almeida Junior, que hoje é titular da unidade.
Além das causas gerais do crescimento da criminalidade, como dificuldades econômicas, desemprego e crescimento da miséria, no caso das mulheres, as autoridades são unânimes em afirmar motivos mais específicos. ‘‘Algumas entram para o crime por necessidade, mas o mais comum é a mulher tentar ajudar o marido ou companheiro’’, diz o delegado. ‘‘Elas são usadas como vapor do marido, laranjas para vender a droga’’, complementa o superintendente do distrito, Fabiano Rodrigo Teixeira Pinto.
O responsável pelo Grupo Auxiliar de Planejamento do Departamento Penitenciário (Depen), José Vicente d’Aquino, concorda. ‘‘Sozinha, é muito difícil ela ir para o crime. No caso do tráfico, só se ela for viciada’’. Ele afirma que as causas da prisão de mulheres também mudaram de uns tempos para cá. Antes, a maior parte era enquadrada por furto ou roubo, hoje o tráfico de drogas é a causa principal.
Das 151 presas em regime fechado na Penitenciária Feminina de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, 66% (93) estão presas por tráfico de entorpecentes. A segunda causa é homicídios com 18 casos, seguido por dez presas por roubo, oito por furto, e outras 12 por motivos diversos. O número de presas por envolvimento com drogas, no entanto, pode ser até maior. Além do enquadramento por tráfico, muitas acusadas por furtos e roubos só praticaram este crime porque queriam dinheiro para adquirir a droga.
Um exemplo típico é a manicure Gislaine Nascimento, 28 anos, separada e dois filhos. Ela está presa há quase três meses porque roubou uma garrafa de licor em um mercado. ‘‘Eu ía vender o licor por R$ 50,00 para comprar umas coisas para o meu namorado que está preso’’, diz. A diarista Ivonete de Cássia, 37 anos, é outra que entrou no mundo do crime levada pelo primeiro marido, preso como traficante quando ela tinha apenas 16 anos, dois filhos e era viciada. Ela garante que não usa mais drogas, mas seus outros três filhos, de 3, 5 e 9 anos estão no Conselho Tutelar há sete meses, desde que foi presa porque a polícia encontrou drogas em sua casa. Condenada há dois meses por tráfico, esta é sua segunda passagem na polícia. As duas vezes, segundo ela, a droga pertencia a seu filho.
‘‘Eu tinha um namorado na boca do pó no centro da cidade, e acabei fazendo avião para eles’’, diz Silvia Alves de Andrade, explicando que ‘‘fazer avião’’ significa levar clientes para o traficante. Hoje, com 24 anos, solteira e dois filhos, ela acumula três passagens na polícia, por furto, tráfico e uso de droga. Entre as presas, a babá Anderléia da Silveira, de 21 anos, é uma exceção. Separada e com dois filhos, Anderléia foi condenada a 8 anos e 8 meses por assalto a mão armada e roubo de carro. ‘‘Eu queria dinheiro para comprar droga’’, admite.

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