Cresce número de mortes por homicídio
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quarta-feira, 12 de setembro de 2001
Célia Guerra 
As doenças do aparelho circulatório, o câncer e as causas externas, como acidentes, homicídios, suicídios e quedas são, pela ordem, as principais causas da mortalidade do londrinense. Esse quadro, segundo o Núcleo de Informação em Mortalidade (NIM) da Secretaria Municipal de Saúde, não tem se alterado nos últimos oito anos, desde que o órgão foi criado, em agosto de 1993. A mudança mais acentuada é o crescimento do número de mortes por homicídio, que aponta uma vítima a cada cinco dias.
O NIM, de acordo, com a responsável pela Diretoria de Informações da Saúde, Maria Luiza Iwakura, permitiu o conhecimento detalhado do perfil das mortes na cidade. Antes da sua criação, os dados eram recolhidos pela 17 Regional de Saúde e enviados a Curitiba. Eles chegavam à cidade com aproximadamente dois anos de atraso, além de trazer informações pouco detalhadas. Nesse período, as mortes por causas desconhecidas ocupavam o segundo lugar.
A pesquisa do NIM, hoje, destaca Maria Luiza, permite o planejamento de ações de saúde visando a redução das mortes evitáveis ou precoces. Os dados informam todos os casos de óbitos dos moradores do município, determinando idade, sexo e região de moradia. As causas são identificadas de acordo com a Classificação Internacional de Doenças, 10 revisão (CID-10).
Nas mortes ocorridas sem assistência médica ou quando a declaração do médico menciona somente as complicações que levaram ao óbito, o núcleo realiza uma investigação aprofundada que permite definir com clareza os motivos que resultaram na morte, incluindo conversas com familiares, Siate, Instituto Médico-Legal (IML), distritos policiais e notícias veiculadas pela imprensa. Cerca de 40% dos óbitos exige essa pesquisa.
O preenchimento da declaração de óbito tem papel fundamental nesse tipo de informação. No início de julho foi feito um acordo entre representantes da Secretaria Municipal de Saúde, NIM, Instituto Médico-Legal (IML) e Autarquia de Serviços Especiais (Acesf) pela melhoria desse serviço. A responsabilidade no fornecimento da declaração é do médico, tendo por base as regras estabelecidas pela resolução nº 1.601/00, do Conselho Federal de Medicina.
Maria Luiza reforça que o detalhamento das causas é ainda mais preciso nas mortes de crianças até um ano de vida, de mães durante o parto, de mulheres em idade fértil (10 a 49 anos), nos óbitos por causas indeterminadas ou desconhecidas e nas mortes por violência. Os dados do NIM contribuíram para que fosse oficializado, no final de agosto, o Comitê Interinstitucional Municipal para a Prevenção da Mortalidade Materno-Infantil.
Os índices de mortes violentas, apesar de ocuparem o terceiro lugar, de acordo com a diretora, são preocupantes. O núcleo trabalha com um índice chamado Anos Potenciais de Vida (APV), levando em consideração que a expectativa de vida do homem é 70 anos. Segundo a diretora, os acidentes são responsáveis pela perda de cerca de 3.000 Anos Potenciais de Vida.
Os casos de homicídios apresentam um crecimento ainda mais acentuado. Em 1994, quando foram concluídos os primeiros levantamentos, eles representavam 1.500 mil Anos Potenciais de Vida Perdidos (APVP). No ano passado foi registrado um crescimento de 86,6% com mais de 2.600 APVP. ''O trânsito ainda conta com trabalhos educativos, legislação, multas. Já os homicídios refletem um desajuste social mais difícil de ser controlado'', afirma.


