Cresce número de mortes por atropelamento
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quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
O número de mortes por atropelamento nas ruas de Londrina entre janeiro e setembro deste ano aumentou 50% em relação ao mesmo período de 2014, de acordo com o Placar do Trânsito, divulgado ontem pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU). Das 27 mortes confirmadas até setembro, 16 delas vitimaram idosos. No ano passado, foram 18 óbitos.
A imprudência tanto de quem está ao volante como dos pedestres ainda é a principal causa do aumento das estatísticas negativas, de acordo com a CMTU. A Companhia garante que tem feito um trabalho de conscientização por meio da campanha "Mãos Estendidas, Velocidade Reduzida", implantada no ano passado. O diretor de Trânsito da CMTU, Hemerson Pacheco, diz, inclusive, que nos últimos meses o foco foram os idosos. "Apesar de estarmos fazendo vários inserções de trabalho junto aos centros comunitários, levando a eles como se comportar no trânsito, levando-os às ruas, infelizmente ainda tivemos muitas mortes de idosos", afirmou.
Além das campanhas, outra medida usada para tentar diminuir os atropelamentos é a instalação de pelo menos 50 faixas elevadas. Para Pacheco, no entanto, o aumento das mortes em atropelamentos não significa que a experiência não tenha funcionado. "É o nosso carro-chefe e tem tido um resultado excelente. A ideia é que mais delas sejam instaladas em outros pontos críticos", informou.
O número de vítimas do trânsito londrinense, de acordo com o levantamento da CMTU, permaneceu o mesmo em relação a 2014, com 78 mortes. Mesmo que não tenha havido um aumento, a CMTU promete intensificar ações para reduzir essa estatística. "Quando morre uma pessoa, para nós já é preocupante, que dirá 78 pessoas. Por mais que tenha se mantido inalterada (a estatística), são vidas que se perderam de forma estúpida até, na nossa cidade. E isso nos remete a repensar", comentou Pacheco.
No topo das vias com maior número de mortes registradas este anos estão as avenidas Brasília, trecho urbano da BR-369, e Dez de Dezembro. Cada uma registrou oito mortes no período analisado pela CMTU. Na Dez de Dezembro, próximo à rotatória da Rodoviária, o medo é constante. Mesmo com faixas de pedestres, os pedestres hesitam em atravessar. "Quase fui atropelado aqui. Dá medo porque tem muito motorista que não obedece a sinalização de parar", disse o motorista Carlos Alberto Ferrari. O leiturista Leandro Souza, que costuma passar pelo local em horários de pico, também não se arrisca. "É difícil atravessar, de qualquer um dos lados. Não dá coragem de colocar o pé na faixa. Acho que só vai resolver quando for feito um viaduto", pediu.
O total de ocorrências em 2015 foi 11% menor em relação ao mesmo período do ano passado, caindo de 2.999 para 2.659. Outro índice que apresentou queda foi o de vítimas envolvidas, que caiu 14%, de 3.670, em 2014, para 3.144 neste ano. A CMTU contabilizou ao todo 54.001 autuações no trânsito. As campeãs foram novamente o não uso do cinto de segurança, com 8.626 multas, e dirigir falando ao celular, com 6.227.
Pacheco acrescenta que a partir do próximo mês haverá uma campanha orientação voltada para reforçar a importância do uso da seta de direção. "O londrinense não usa a seta e isso tem trazido muitos acidentes." Na sequência, o foco será o uso do celular ao volante e do cinto de segurança. "A cada mês vamos trabalhar de forma mais focada em determinadas situações", explicou.
A instalação de 18 novos radares móveis - que está em licitação - e de semáforos inteligentes também está prevista. "São ações que esperamos que possam trazer uma melhora na condição do trânsito. Mas nada disso adianta se não houver comprometimento do condutor."


