Marcos NegriniRenitentesNa Praça Raposo Tavares, dependentes de álcool que recusaram ajuda de fundação para tratamento Das 2.064 pessoas internadas no Centro de Controle de Intoxicações (CCI) do Hospital Universitário de Maringá (HU) no ano passado, 823 (40%) estavam drogadas (álcool, chá de lírio, crack, cocaína e maconha). Cerca de 90% dos casos de internamento no HU por ingestão de drogas químicas são provocados pelo álcool.
Em relação ao relatório apresentado pelo CCI em 95, houve um aumento de 26,39% do número de internamentos por intoxicação no ano passado. Em 95, foram 1.633 casos, dos quais 416 de intoxicação por drogas químicas (álcool, cocaína, etc). O número de internamentos de intoxicados por drogas químicas, especialmente o álcool, praticamente dobrou de um ano para o outro (97,83%).
Segundo relatório do CCI, sete pacientes internados morreram em 96 - três por ingestão de agrotóxicos, dois por medicamentos e dois por ingestão de drogas.
Em Maringá (270 mil habitantes), calcula-se que pelo menos 10% da população (27 mil pessoas) têm problemas com o álcool. A grande maioria não procura tratamento especializado.
O índice de 10% é universal, determinado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). ‘‘O número varia de acordo com a pobreza da região. Em Salvador (BA), por exemplo, 35% dos moradores da periferia da capital baiana têm problemas com álcool’’, informa o psicoterapeuta José Carlos Vasconcelos, diretor da Clínica de Recuperação Quinta do Sol, em Curitiba.
Em Maringá, apenas 150 pessoas frequentam grupos de Alcoólicos Anônimos (AA), organização fundada em 1934 nos Estados Unidos e responsável por grande número de recuperação de dependentes de álcool.
Existem três grupos na região: dois em Maringá e um em Sarandi. Paulo, um dos coordenadores, ex-dependente em abstinência há 10 anos, diz que o número de frequentadores de AA aumenta entre 5% e 6% a cada ano. ‘‘São pessoas de todas as classes sociais, sem distinção de raça, religião e cor. Mas só vêm aqui se quiserem, ninguém os obriga’’, afirma.
Existem cerca de cinco instituições religiosas em Maringá que abrigam e tratam do alcoólatra - a maioria não trata a família do dependente. ‘‘Se a família não participar do tratamento, o dependente dificilmente deixará a droga’’, avisa Vasconcelos.
O Programa de Atenção ao Dependente Químico (Padeq), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), funcionando há seis anos, atende hoje 70 pacientes e suas famílias. O grupo é formado por dependentes de álcool (a maioria) e outras drogas encaminhados pela própria universidade e pela comunidade. Uma equipe de quatro psicólogos conversa individualmente com os dependentes e depois com suas famílias.
‘‘Os familiares são co-dependentes. Mas a grande maioria não aceita esta condição, de que também estão doentes’’, explica a assistente social Silvana Maria Ribeiro Borges, 39 anos, do Padeq. ‘‘A resistência das famílias em participar do programa é muito grande, principalmente por causa do preconceito’’, afirma. Neste ano, o Padeq vai fazer pesquisa com os 8 mil alunos da UEM e relacionar o modo de vida deles ao uso de drogas.
A Fundação de Desenvolvimento Social (FDS) da Prefeitura de Maringá também tem um programa de recuperação parecido com o da UEM, só que dirigido a mendigos dependentes de álcool que vivem nas ruas.
O coordenador, Jonas Lourenço, diz que hoje a FDS atende a 13 alcoólatras em ambulatórios, com equipe de médicos, enfermeiras e psicológos. ‘‘Fazemos o atendimento familiar e encaminhamos os mendigos para desintoxicação. Depois, os atendemos individualmente e em grupos. Tem dado certo. Alguns voltaram para o trabalho’’. No ano passado, a FDS atendeu a seis mendigos. ‘‘Eles são convidados a participar do programa, não os forçamos’’, diz Jonas.

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