O número de focos do mosquito transmissor da dengue, neste início de ano, é mais que o dobro do registrado em 2005. Um levantamento feito pela Secretaria Municipal de Saúde mostra que o índice é de 4,7%. O valor máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é 1%. Bairros da Zona Oeste de Londrina, no entanto, têm mais de 10% de infestação.
Uma das áreas mais preocupantes é a região do Jardim San Remo (Zona Oeste), onde larvas do Aedes aegypti foram recolhidas na tarde de ontem. Pratos de vasos de plantas com água parada formaram o ambiente perfeito para reprodução do mosquito. Os moradores foram orientados para evitar a formação de novos focos.
''Os agentes falaram para a gente deixar as vasilhas e garrafas de cabeça para baixo. E também para tomar cuidado com os potes de água do cachorro'', afirmou a auxiliar de cozinha Daniela Amancio de Moura, 27 anos. Atualmente desempregada, ela vive na casa da sogra, onde ajuda a cuidar para não deixar água parada.
A região do San Remo, que inclui outros quatro bairros da Zona Oeste (Sumaré, Araxá, Bancários e Bandeirantes), atingiu o maior índice da cidade: 10,4%. A exemplo da casa de Daniela, os vasos de plantas são os vilões da área em relação ao tipo de focos. ''São bairros de classe média e alta, onde há risco de surto se chegar uma pessoa contaminada com o vírus da doença'', advertiu a diretora de epidemiologia e informações em saúde da secretaria municipal, Josemari de Arruda Campos.
Até a tarde de ontem, 15 notificações de casos suspeitos foram registradas na cidade - praticamente uma por dia. Os exames estão sendo feitos no Hospital Universitário (HU) e os primeiros resultados devem ser divulgados hoje.
No ano passado, foram confirmados 10 casos (seis autóctenes - adquiridos na própria cidade - e quatro importados). Este número pode crescer porque ainda há exames cujos resultados não estão prontos. Em 2004, Londrina teve 10 casos autóctenes e cinco importados.
A situação mais grave ocorreu em 2003. A cidade teve uma epidemia da doença, com cerca de 7.200 casos confirmados. Com o intuito de impedir o alastramento da enfermidade, a Secretaria Municipal está intesificando a campanha de conscientização da comunidade. ''Estamos incentivando a remoção de objetos que funcionam como reservatório de água. A situação preocupa e só não é pior porque, apesar do calor, esta relativa estiagem nos dá condição de ganhar a luta contra o mosquito'', declarou.
Também moradora do San Remo, a médica Elenice Zamberlan Inocente, 54 anos, segue a receita dos agentes de controle da doença. Como recomendado, ela coloca areia nos vasos de plantas para não acumular água. ''Não são muitos vasos, mas sigo as orientações para não criar reservatórios de água parada'', disse.
O levantamento indica ainda que a região dos jardins Sangri-Lá I e II, Leonor, Santa Rita e Parque Ney Braga, também na Zona Oeste, atingiu 7% de infestação. O melhor resultado foi o da região do Aeroporto (Zona Leste), com 1,2%.

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