Cresce número de denúncias de agressão a idosos
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Fernanda Carreira<br>Reportagem Local 
Hoje é celebrado o Dia da Não Violência, data criada pelo Ministério da Saúde para lembrar a importância de combater o problema. No entanto, como aponta a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, o aumento de ocorrências, principalmente no que se refere a agressões contra idosos, mostra que não há nada a comemorar.
Somente em 2012, a secretaria registrou mais de 21 mil denúncias de violência contra as pessoas com mais de 65 anos em todo o país. O aumento representa um acréscimo de 200%, visto que em 2011 o número de casos totalizou 7 mil denúncias.
Em Londrina, o aumento de mais de 80% no número de denúncias também surpreende. De acordo com dados da Secretaria Municipal do Idoso, em 2012 foram registrados 1,7 mil casos de agressões a idosos, enquanto que em 2011 os registros não ultrapassaram 900.
Entre os mais de 21 mil casos de agressão, situações de negligência e violência psicológica lideram a lista como os mais recorrentes. Em seguida, vêm abuso financeiro e econômico, violência física e, por último, o abandono. Já em Londrina, segundo a secretária do Idoso, Maria Inez Barroso, o abandono lidera os casos, seguido das situações de abuso físico e econômico, além da violência física e psicológica.
Se o aumento do número de registros deve-se a uma maior discussão sobre o assunto e consequente conscientização da população sobre a importância das denúncias ainda não se sabe, O fato é que os números alertam para a importância da prevenção. Segundo a presidente do departamento de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), Mariana Asmar Alencar, apesar dos recentes avanços em prol do bem-estar dos mais velhos, como o Estatuto do Idoso e a regulamentação da profissão de cuidador, ainda há muito o que fazer.
"Precisamos disponibilizar mais opções para proteger essa população. Uma questão ainda falha em nosso país é que, diferentemente do que ocorre em relação às crianças, que contam com o apoio de conselhos tutelares, ainda não existe uma rede especializada de assistência ao idoso em todo o Brasil", relata Mariana, enfatizando que segundo os últimos dados do IBGE até 2020 o país terá 40 milhões de pessoas acima de 60 anos.
"Seremos o sexto país com mais idosos no mundo e nosso maior desafio é proporcionar um envelhecimento com dignidade e cidadania, garantindo não somente a assistência, mas, principalmente, a inclusão social dos idosos", ressalta a presidente.
Acolhimento
A gerontóloga afirma que "muitas vezes uma denúncia deixa de ser feita à delegacia por envolver parentes e pessoas próximas, ou porque o idoso sofre ameaças. Por isso, é essencial um espaço em que ele possa ser acolhido e receber orientação médica, psicológica e jurídica". E completa explicando que apesar do Brasil já contar com as delegacias do Idoso, é importante realizar um trabalho com suporte integral ao cidadão agredido.
Para combater o problema, Maria Inez destaca que a estratégia principal este ano será atuar de forma preventiva, promovendo ações de conscientização, por meio de projetos educativos que estimulem os respeito aos idosos. Um exemplo é o Projeto Intergeracional nas escolas, que irá possibilitar a participação dos avôs dos alunos ou dos próprios idosos do bairro em atividades como contação de histórias.
Além disso, Maria Inez detalha que pretende realizar reuniões mensais com coordenadores de centros de convivências para debater a não violência e programar fiscalizações periódicas e orientação a profissionais de casas de repouso.
Segundo a secretária, com o decreto de contingenciamento do Executivo e o corte de cerca de 30% no repasse mensal de R$ 4 milhões para o setor, o principal desafio é manter os serviços desenvolvidos pela Gerência de Articulação Comunitária, como oficinas de memória, artesanato, atividade física, informática, entre outros, nos Centros de Convivência Comunitária.
Maria Inez explica que pretende ainda ampliar o número profissionais que atuam na Gerência de Atenção à Pessoa Idosa. A equipe trabalha diretamente com os riscos a que estão submetidos os idosos e conta hoje com um psicólogo, quatro assistentes sociais, uma gerente e três estagiários das áreas de psicologia e serviço social. "Esse acréscimo é imprescindível se considerarmos que para cada um dos 1,7 mil novos casos atendidos durante o ano, cada profissional realiza, em média, cinco visitas", considera. (Com informações da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia)
Serviço:
Situações de violência contra os idosos podem ser denunciados diretamente na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência pelo Disque 100 ou qualquer unidade de delegacia mais próxima.


