Cresce número de candidatos a doador
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quinta-feira, 08 de fevereiro de 2001
Carolina Avansini De Londrina 
O sucesso da novela Laços de Família, cuja personagem Camila sofria de leucemia e foi salva graças a um transplante de médula óssea, fez aumentar o número de pessoas dispostas a se tornarem doadoras no Paraná. Depois que o assunto foi abordado em horário nobre na TV, a Central de Transplantes, em Curitiba, passou a receber uma média de 250 telefonemas diários. Antes, as ligações se resumiam a pedidos de informação vindos de pessoas que queriam ajudar algum conhecido portador da patologia.
Nos quatro hemocentros paranaenses credenciados a colher sangue para o exame de tipagem genética que indica a compatibilidade, localizados em Curitiba, Londrina, Maringá e Cascavel, a procura também aumentou. Na Capital, a média passou de 3 para 40 coletas diárias. Em Londrina, foram atendidas 98 pessoas entre 22 de janeiro e 6 de fevereiro, enquanto a média de atendimento mensal costumava ficar em torno de 40 coletas. Apenas os laboratórios da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e do Hospital das Clínicas (HC) de Curitiba estão aptos a examinar o sangue coletado.
Há duas semanas, o Ministério da Saúde começou a veicular uma campanha para incentivar as doações, com imagens da personagem Camila cortando os cabelos por causa da leucemia. Desde então, o Centro de Transplantes do Instituto Nacional do Câncer, no Rio de Janeiro (RJ), passou a receber quatro vezes mais telefonemas diários. No Brasil, são feitos 600 transplantes de medula óssea anualmente e aproximadamente mil pessoas estão na fila de espera por uma medula compatível.
Sensibilizada com o drama exibido na novela, a comerciante Mara Cristina de Oliveira, 22 anos, procurou o Hemocentro do Hospital Universitário (HU) de Londrina disposta a se tornar uma doadora de medula. Estou mais informada sobre o problema e decidi ajudar quem precisa, afirmou. Ela já é doadora de sangue.
Em Londrina, o Hemocentro só coleta sangue para realizar o exame de compatibilidade de segunda à quinta-feira, das 9 às 12 horas e das 14 às 16 horas. Por causa do horário reduzido, algumas pessoas encontram dificuldades para se submeter ao procedimento.
A administradora de empresas Vera Lúcia Maria Carlos, 40, contou que está tentando fazer o exame desde o ano passado, mas não conseguiu porque trabalha no horário disponível. O problema é enfrentado por mais quatro colegas de trabalho, que também não têm tempo para ir ao Hemocentro. Se eles disponibilizassem a hora do almoço, já seria suficiente, disse.
Segundo a hematologista Denise Akemi Mashima, diretora do Hemocentro, o horário é reduzido porque o sangue precisa ser levado para Maringá, onde o exame é feito, no mesmo dia da coleta. Ela também afastou a possibilidade de coletar o sangue durante o horário do almoço, alegando que não é possível ter a presença de um médico para orientar o candidato a doador. É preferível termos um cadastro menor, mas com pessoas verdadeiramente interessadas em ajudar.
Denise explica que ao se submeter ao exame de compatibilidade, a pessoa assina um consentimento e passa a integrar o Registro Brasileiro de Doadores Voluntários. Quando um receptor é encontrado, o doador se submete a uma série de exames para checar seu estado de saúde. Se estiver apto, é encaminhado para o HC de Curitiba, onde se submete ao procedimento de retirada da medula.


