A Polícia Militar de Londrina fechou a estatística relativa às apreensões de armas de fogo em 2002 com um novo recorde: 585 armas foram apreendidas nos 12 meses do último ano. O número é praticamente duas vezes maior que as apreensões feitas em 2001, quando o total foi de 295. Apenas em abril foram apreendidas 63 armas, mais de duas por dia.
Na análise das duas polícias, esse aumento está diretamente ligado a uma perigosa realidade: há mais armas circulando em Londrina, tanto na mão de marginais quanto entre pessoas da comunidade. E o pior é que o potencial destrutivo desse armamento é bem maior do que há alguns anos. Com frequência, as polícias têm conseguido recuperar, por exemplo, pistolas 9 milímetros. Esse armamento de alto poder de fogo é de uso exclusivo das Forças Armadas.
O comandante do 5º Batalhão da PM, tenente-coronel Rubens Guimarães, avalia que pelo fato de existir mais armas em circulação, o trabalho de abordagem de veículos e pessoas feito pela Polícia Militar teve destaque em 2002. ''Apesar de muitas pessoas reclamarem desse trabalho, grande parte das armas foram apreendidas assim'', disse. Ele também destacou a importância da ajuda da comunidade, que tem colaborado repassando informações ao disque-denúncia da Polícia Militar. ''A comunidade está presente em todos os pontos e nós não.''
Para Guimarães, o abrandamento da lei relativa ao porte a partir de março do ano passado quem é pego com arma, sem ter agravante, assina apenas um termo circunstanciado e é liberado deu mais ''segurança'' para os mal intensionados, que passaram a andar armados a qualquer hora do dia. ''A legislação teria que ser mais dura, por exemplo permitindo prisões em flagrante'', comentou o comandante.
Sobre o fato de que boa parte desse arsenal recuperado pela PM estava em poder de adolescentes, Guimarães avaliou que ''os garotos são usados pelos adultos''. O maior de idade, segundo o comandante, estaria se valendo dos menores para a prática de crimes à mão armada. Ele também não descartou a possibilidade de traficantes estarem distribuindo armamento para os adolescentes fazerem ''acertos de conta''.
E como essas armas chegam à Londrina? Junto com as drogas, segundo o novo delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Jurandir Gonçalves André. Elas são despejadas nas ruas vindas em sua maioria do Paraguai, sem qualquer tipo de cadastro. ''Boa parte está com a numeração intacta'', disse o delegado.
André apontou que uma das formas de desarmar a população é aumentar a ''interatividade da polícia com a comunidade''. Outra seria através da Justiça, que poderia conceder mandados coletivos de busca e apreensão para locais considerados críticos.

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