As polícias do Paraná têm registrado aumento significativo no número de armas apreendidas em todo Estado. O que tem chamado a atenção das autoridades são os modelos do armamento de grosso calibre que têm surgido com mais frequência nas operações policiais.
Em agosto, um fuzil de fabricação americana, calibre 762, mesmo modelo que pode ter derrubado o helicóptero da Polícia Militar do Rio de Janeiro no último dia 17, foi apreendido pela Polícia Rodoviária Estadual (PRE) na cidade de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina). A arma, uma das mais potentes da categoria, foi apreendida com homem de 46 anos que confessou à polícia que receberia R$ 2 mil para levar o armamento de Cascavel (Oeste) para o Rio de Janeiro.
No final do ano passado, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu em Cascavel (Oeste) um rifle M82 A1 utilizado por forças armadas. A arma de guerra, avaliada em R$ 20 mil, estava escondida no assoalho de um Mercedes Classe A e os dois paraguaios detidos disseram que a levariam para São Paulo.
Em todo o ano passado, as polícias Militar e Civil do Paraná apreenderam 6.592 armas. Só no primeiro semestre deste ano já foram mais de 5,5 mil armas, sendo 1.140 delas só na Região Metropolitana de Curitiba, área que nem é considerada pela polícia a rota de criminosos que atuam com o tráfico de armas. A rota mais comum é a região Oeste, onde os municípios fazem fronteira com o Paraguai.
O delegado chefe do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Miguel Stadler, considera o aumento das apreensões resultado do incremento na segurança pública, além de um melhor aparelhamento no sistema de informação. Segundo ele, muitas apreensões, que a princípio parecem aleatórias, são o resultado de um serviço de inteligência por parte da polícia. ''Podemos afirmar que a maioria dessas armas tinha como destino outros estados, outros centros urbanos'', disse.
Também em agosto, a Polícia Federal de Foz do Iguaçu, em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), prendeu uma pessoa pelo crime de contrabando internacional de armas na cidade de Santa Terezinha de Itaipu (25 km a nordeste de Foz do Iguaçu) com outros dois fuzis de calibre 762 mm e mais sete munições da mesma arma.
Em depoimento ao delegado da Polícia Federal em Foz, Cleo Mazzoti, o homem preso afirmou que já havia levado as armas para o Rio de Janeiro, porém, confessou que devido à má qualidade os criminosos devolveram os fuzis. Ele estaria, portanto, levando o armamento de volta para o dono, um paraguaio morador da Cidade de Leste. ''Não é comum esse tipo de apreensão, até porque percebemos que é uma arma fabricada de forma artesanal. Apesar disso, apresenta um calibre muito potente, nenhuma polícia utiliza algo assim'', enfatiza.
Embora as estatísticas da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) não apontem armas de grosso calibre como maioria nas aprensões, agentes da Polícia Federal e PRF afirmam que esse tipo de armamento tem aparecido com frequência desde 2003.
O inspetor Gilson Luiz Cortiano, chefe de policiamento da PRF no Paraná, explica que a maioria dessas armas é apreendida na região da fronteira com o Paraguai, principalmente em cidades como Guaíra e Foz do Iguaçu. Segundo ele, a extensão territorial torna mais ''complexo'' o trabalho da polícia.
''Encontramos armamentos pesados, como fuzis AR-15, armas que perfuram carros blindados e temos encontrado não só armas como também munições mais sofisticadas. A maioria dessas armas tem como destino estados onde há a presença do crime organizado'', completa o inspetor.

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