Cresce número de acidentes de trabalho
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sexta-feira, 17 de outubro de 2003
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Em todo o País e o Paraná não é exceção , os registros de acidentes de trabalho têm se tornado cada vez mais frequentes. É o que aponta uma pesquisa divulgada este mês pelo Ministério da Previdência, que comparou as ocorrências de 2002 às do ano anterior e constatou um aumento de 14%. O dado se refere aos quase 321 mil acidentes, nos quais morreram 2.898 trabalhadores.
Já o Estado teve mais de 27,4 mil registros, com 230 mortes. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Londrina (Sintracon), Denílson Pestana, os números se referem tanto a acidentes típicos quanto a doenças associadas ao trabalho. Boa parte deles 46.621 no Brasil, 2.224 no PR são acidentes de trajeto, ocorridos no percurso casa/emprego. ''Por isso que sugerimos às empresas a adoção do vale-transporte gratuito, pois muitos operários vão trabalhar de bicicleta e são vítimas de acidentes no trânsito'', afirmou.
Apesar do resultado da pesquisa, Pestana afirma que, a despeito de acidentes como o ocorrido quinta-feira passada na empresa de Café Solúvel Cacique (veja texto nesta página) e outros na construção civil que também terminaram com vítimas fatais, este ano, o quadro na cidade é muito diferente do de anos atrás. ''De 1986 a 1990 foram 97 mortes, pois, como o patrão cobrava pelo equipamento de segurança, o custo desestimulava que o empregado o usasse. Hoje, a segurança está bem mais presente na pauta das empresas, até por uma questão legal'', frisa o sindicalista, lembrando que, se o local possui mais de 20 funcionários, é obrigado a possuir uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), conforme lei de 1978.
O subdelegado da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), Aurélio Sugayama, não tem números desse tipo de acidente em Londrina este ano, mas diz que eles nem lembram as 20 ocorrências mensais, comuns há cerca de dez anos. ''Mesmo assim, são várias as normas que as empresas têm de cumprir e com as quais têm de se manter atualizadas'', destacou.
Para o técnico em segurança no trabalho, Wilson Aparecido da Silva, não basta que sejam oferecidos os equipamentos se não houver a conscientização do uso deles. Ele fez a afirmação durante a Semana Interna de Prevenção a Acidentes no Trabalho (Sipat) organizada pela construtora Plaenge, na Zona Sul de Londrina. A maioria dos acidentes com os cerca de 500 operários, contudo, ocorre nas ruas: a maior parte deles vai ao trabalho de bicicleta. Entre as várias atividades, foi simulado um deles. ''Uso a máscara a outros itens para me proteger, mas é muito estressante pegar ônibus lotado no fim do dia'', justifica o servente Jucimar Machado, 29. O auxiliar-administrativo Alaor Pires, 43, não teve uma experiência das mais agradáveis nos tempos de ciclista. ''A primeira vez que vim trabalhar assim, um carro me jogou para o meio-fio. Prefiro o coletivo, sem dúvida'', comentou.


