Cresce medo da violência urban a entre mulheres
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de dezembro de 2000
Emerson Cervi De Curitiba 
A mulher curitibana tem dificuldade em falar sobre seus medos de maneira direta. Esse é um dos resultados da pesquisa desenvolvida por professores a alunos do curso de Psicologia, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC). Violência urbana é o maior medo, com 39% das citações, independente da idade. O trabalho começou em 1999 e a coleta de dados com as mulheres terminou no início de 2000. No próximo ano, os alunos vão fazer a pesquisa com homens para ampliar a amostra.
Iniciamos com as mulheres porque o senso comum diz que elas têm mais facilidade em falar de seus medos, mas não foi isso que constatamos, diz a professora Marilza Alves Mestre, uma das coordenadoras da pesquisa. As alunas recolheram informações de 78 mulheres de média idade e 32 com mais de 50 anos em um shoping de Curitiba. A maioria definiu medo por insegurança, pavor ou sensação do desconhecido. O fato da mulher não saber relatar o medo mostra que existem falhas no nosso sistema educacional.
Outra revelação do trabalho é que o desemprego, violência e crise financeira são alguns dos medos mais comuns entre as entrevistadas. Chamamos isso de violência urbana, que se mostra como uma das maiores preocupações da mulher e quando há medo em excesso isso pode gerar problemas sérios para as pessoas, explica a professora.
O passo seguinte ao medo da violência urbana é a fobia social e síndrome do pânico. Os principais danos causados por essas anomalias são gerados pela fuga do meio social. Ao invés de desfrutar das relações gratificantes com outras pessoas, o indivíduo tende a se isolar.
A pesquisa desenvolvida em Curitiba foi apresentada em Estocolmo, Cidade do México e em Barcelona, além de três eventos técnicos nacionais.


